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quinta-feira, 2 de março de 2017

Saladeira da Imperial, padrão Blaze

Já que na publicação do mês passado eu mostrei uma saladeira da Esberard Rio, nesse mês resolvi continuar com as saladeiras, mas desta vez, uma americana.

Mas antes, vamos lembrar de algumas saladeiras que já foram mostradas aqui no Do Tempo do Guaraná de Rolha?

Em Junho de 2014 eu mostrei uma peça produzida pela americana Imperial Glass Company.
A saladeira é no padrão Hobstar and Arches, e as cumbucas no padrão Diamond Lace.

Para ver a publicação, e entender o porquê dos padrões diferentes,  clique aqui.



Em Agosto de 2014 eu falei sobre o padrão brasileiro Olho da Rainha, mas na época eu ainda não havia completado o conjunto.
Portanto, aqui vão as fotos de um dos padrões brasileiros mais bonitos e intrigantes, na minha opinião...

E, para ler mais sobre o Olho da Rainha, clique aqui!




E agora, o padrão Blaze da Imperial Glass Company.



Um padrão que além das estrelas conhecidas por hobstar possui leques que aparecem decorando as estrelas.




A iridescência, a espessura do vidro e a geometria empregada no padrão é típico da Imperial.

Um jogo muito bonito e chamativo, digno de ser exposto em uma bela cristaleira!



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

The Carnival Glass Society Newsletter

Em Dezembro do ano passado eu recebi um e-mail de Derek Sumpter que me deixou extremamente feliz, e hoje, divido com vocês o porquê.

Derek Sumpter escreve artigos para o Carnival Glass Society - United Kingdom (CGS-UK), e sua esposa, Carol Sumpter é a editora das newsletter que são enviadas de forma digital e/ou impressa para membros do CGS-UK no mundo inteiro.

No e-mail, Derek me enviou duas newsletter que ele escreveu no ano passado.

Nessas newsletter ele escreveu sobre carnival glass brasileiro.

E para ilustrar os artigos ele usou fotos das minhas peças e também das peças do meu amigo Álvaro Aguiar.

No texto, além de explicar sobre as peças, em certos momentos ele fala sobre a Esberard Rio, sobre araucárias e pinhões, sobre características do Brasil, etc.

Ah! Ele também me disse que cópias impressas dos artigos foram enviadas para o Corning Glass Museum, no estado de Nova York!

Meus sinceros agradecimentos ao Derek e à Carol pelos artigos muito bem escritos, e pela oportunidade de mostrar um pouco do Brasil para o mundo através da minha coleção!




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Carnival Glass Padrão Lacinho (Garland and Bows)

Um padrão Carnival Glass encontrado com certa facilidade no Brasil, fabricado pela Esberard Rio, é o padrão Lacinho, conhecido no exterior como Garland and Bows (Festão e arcos).


A origem desse padrão é interessante, e a maneira como ele veio parar em terras tropicais é mais interessante ainda e foi desvendada por Glen e Stephen Thistlewood.

Segundo o casal, esse padrão é original da Europa e era fabricado por duas empresas, a finlandesa Riihimaki e a polonesa Hortensja.
O desenho feito pelas empresas possuíam algumas diferenças, mas a mais fácil de identificar é que o lacinho da Riihimaki aparece abaixo de uma faixa pontilhada, enquanto nas peças da Hortensja esse lacinho acompanha a faixa pontilhada, ou seja, não está nem acima nem abaixo da faixa, está sobre a faixa.

Para entender essa diferença, comparem o lacinho na cumbuca da foto acima com o da manteigueira do Álvaro Aguiar. Lembrando que as duas peças não são europeias.




Há algum tempo, peças Lacinho com características no desenho e na coloração diferentes das produzidas na Europa, foram encontradas na Argentina.

Glen e Stephan acreditam que por motivos políticos e econômicos essas peças começaram a ser produzidas na América do Sul não porque os moldes foram adquiridos por algum país daqui, mas sim porque imigrantes poloneses que trabalhavam com a fabricação de vidro acabaram trazendo os desenhos das peças para servirem como portfólio na hora de conseguirem empregos.

O casal ainda cita que colônias polonesas se estabeleceram entre Argentina, Brasil e Paraguai, portanto qualquer um desses países poderiam ter produzido o padrão Lacinho.

Até que, peças começaram a surgir no Brasil com a marca Esberard Rio estampada.
Ou seja, mistério resolvido, Lacinho / Garland and Bows foi produzido na América do Sul pela Esberard Rio.


Mas aqui eu devo levantar minhas suspeitas e questionamentos.

1) Uma peça carnival na cor azul cobalto sem características de ter sido fabricada na Polônia foi encontrada na Argentina.
Até onde sabemos, a Esberard não produziu carnival glass nessa cor. A Esberard trabalhava com vidro colorido mas em peças não carnival.
2) Todas as peças marcadas Esberard possuem o lacinho abaixo da linha pontilhada, mas algumas peças com o lacinho sobre a linha, e sem a marca Esberard,  podem ser encontradas tanto no Brasil quanto na Argentina.
3) Fazendo buscas em sites de venda da Argentina já encontrei por várias vezes sendo vendidas peças Lacinho, com ele sobre a linha pontilhada, sendo vendidas.

Diante dessas características eu tenho uma leve desconfiança de que o padrão Lacinho foi produzido tanto na Argentina quanto no Brasil.

Explico, provavelmente algum polonês imigrou inicialmente para a Argentina, e depois acabou saindo da Argentina e indo para o Rio de Janeiro.

Vale lembrar que  no sul do Brasil é onde se formaram a grande maioria das colônias polonesas.
Pela proximidade dos estados do sul do Brasil com a Argentina, o mais certo é que alguém que trabalhava com vidro procurasse alguma empresa nessa região para ficar "um pouco mais próximo" dos seus conterrâneos
O que nos leva à Argentina, que possuía grandes empresas vidreiras.

Mas, tudo isso são suposições, sem nenhuma comprovação.

Depois de toda essa história, vamos apresentar algumas peças.

Saladeira com suas cumbucas;





O interessante das cumbucas pequenas é que o mesmo molde foi usado para cumbucas de diâmetros, e consequentemente alturas, diferentes.

De cima para baixo, 10,0 cm de diâmetro, 13,0 cm e 14,5 cm;



E por último, uma compoteira do Álvaro. Compoteira fechada e com presentoir, a paixão dos colecionadores brasileiros;


Toda a história por trás de um padrão.
Finlândia, Polônia, Argentina e Brasil.
História fascinante, intrigante, que nos faz querer pesquisar e conhecer mais e mais sobre carnival glass.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Compoteira padrão Chumbinho da Esberard Rio

Feliz Ano Novo!

Que 2017 seja um ano de muito sucesso para todos!

E para comemorar esse ano que acabou de chegar, nada melhor do que peças lindas!

No começo de dezembro do ano passado, conversando com meu amigo Álvaro Aguiar, ele me contou que havia adquirido algumas compoteiras no padrão Chumbinho.
Padrão até então que eu desconhecia.

Ele acabou me enviando algumas fotos, uma com duas compoteiras Chumbinho na cor verde, e outra foto com uma das chumbinhos ao lado de uma compoteira Grega em carnival glass.



Fiquei admirado com a elegância das Chumbinho, e claro, com a da Grega também.

Como quem procura sempre acha, poucos dias depois entrei em contato com uma loja daqui de Curitiba perguntando se eles tinhas alguma peça carnival sendo vendida.

Tinham!

Qual não foi a surpresa quando cheguei na loja e descobri que era uma peça Chumbinho!
Uma compoteira aberta, mais fáceis de serem encontradas, e com a decoração que há poucos dias o Álvaro tinha me apresentado!



Voltei a falar com o Álvaro, e dessa vez para tentar entender o porquê do nome Chumbinho.

Eis a resposta dele:

"Se você já praticou tiro com espingarda você já deve ter atirado com espingarda de pressão, pois bem, o chumbinho que é o projétil tem o mesmo desenho e está na medida de 0,5 mm. Antigamente os projéteis eram arredondados e também em forma de losango."

Perfeita a explicação!



Uma coisa que me chamou a atenção é que o pé da compoteira aberta é retorcido, diferentemente dos pés das compoteiras fechadas.



Quanto ao fabricante, na minha compoteira está marcado, Esberard Rio.


E para finalizar essa primeira publicação de 2017, uma última foto enviada pelo Álvaro.

Uma compoteira Rosarinho linda, linda, linda, que ele estava tentando negociar mas acabou não dando certo a negociação, uma pena...
Mas a beleza da peça vale uma foto!


E que venha 2017 com todas as realizações que desejamos.
Que venham mais peças, mais descobertas, mais carnival glass!
Felicidades!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Padrão Dragão da Portieux em Carnival Glass

Em Julho desse ano, eu escrevi uma publicação onde eu questionava se a Esberard Rio havia utilizado os moldes, ou ao menos se inspirado, da Vallérysthal & Portieux em sua produção no Brasil.

Com a ajuda de Glen Thistlewood acabamos descobrindo que algumas peças da Esberard tinham mais conexões com a portuguesa Marinha Grande do que com a empresa francesa.

Mas, uma dúvida persistiu.

E o famoso padrão "Dragão da Portieux" em Carnival Glass?

Pois bem, o mistério será solucionado hoje!


Mas antes, vamos esclarecer o nome do padrão.

No catálogo de 1914 da Portieux esse padrão aparece com o nome de Chimères, Quimeras.
No Brasil esse padrão é conhecido por colecionadores como Dragão, ou ainda como Dragão da Portieux.
O nome Quimeras, simplesmente não pegou.
Se você perguntar para qualquer pessoa que coleciona ou vende antiguidades sobre o nome desse padrão, a resposta será "Dragão".

Agora voltando para as peças.

Vamos fazer uma comparação entre uma travessa Dragão  em Carnival Glass e outra em vidro transparente.



O "Dragão" em detalhe:



O fundo das peças:



E uma vista de cima das travessas:



Sim, as duas travessas são iguais, portanto fabricadas pela mesma empresa...

Será?

A dúvida que eu levantei é que até onde se sabia, a Vallérysthal & Portieux não produziu Carnival Glass.

E não produziu mesmo!

Vejam a marca "Portieux" gravada na peça transparente:


E a marca gravada na outra peça:



Sim! A Dragão da Portieux em Carnival Glass, na verdade, foi produzida pela Esberard Rio!

Muitas peças encontradas no Brasil são atribuidas à Portieux.

Pois bem, se a peça tiver a marca gravada no vidro, é óbvio que não temos o que questionar.
Porém se essa marca não estiver presente, não podemos afirmar que a peça seja francesa, ela pode ter
sido produzida pela Esberard, peça brasileira e carioca!

Mistério solucionado!

E essa foi a última publicação de 2016, um ano que acreditávamos que seria melhor que 2015 mas que pelo que parece não foi bem assim...

Meu desejo de um excelente final de ano para todos!
Boas festas!
E vamos esperar que 2017 seja de fato um ano de mudanças para o Brasil e para cada um de nós!