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quinta-feira, 26 de março de 2020

Mais licoreiras Carnival Glass

Em meio a toda essa pandemia causada pelo Corona Vírus, e completando exatos 7 dias de reclusão, sem sair de casa, vamos aliviar esse clima mostrando coisa bonita, ou seja, licoreiras em carnival glass!

Elas também podem ser chamadas de "conjunto para digestivo", um nome interessante para jogos que podem servir vários tipos de licores.

O primeiro jogo foi produzido Pela Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard, e recebe o nome de Niterói, em homenagem à cidade de onde a Esberard retirava a areia para produzir seus vidros.




As peças são pequenas, tanto que eu gosto de brincar chamando o conjunto de "jogo para servir veneno" (para aquela visita indesejada, sabe?).

A garrafa tem 22,0 cm de altura, com a tampa, e cada copo tem 5,5 cm de altura com capacidade para 15 ml, ou seja, 1 colher de sopa!

Para comparar, uma foto da licoreira com um cálice junto a uma lata de refrigerante:


O prato de apoio é um show a parte.
Com um desenho único, que não acompanha o motivo da garrafa, possui uma iridescência magnífica!


Niterói aparece no catálogo da Esberard com numeração 819, mas repare que o formato da minha garrafa e dos meus cálices são diferentes dos formatos que aparecem no catálogo.
Isso foi comentado na postagem de Fevereiro quando falei sobre a garrafa licoreira Mystic Grape.

Imagens de catálogo gentilmente cedidas por Clóvis Bezerra.


A segunda Licoreira é chamada de Licoreira Bola e também aparece no catálogo da Esberard com o número 1515.
A foto foi gentilmente cedida pela equipe Marco Grilli Leilões, e infelizmente eu não possuo as medidas nem capacidade.



Uma licoreira cujo fabricante é desconhecido, é a Licoreira Pião que me foi apresentada em 2016 pelo Álvaro Aguiar.

Também não possuo as medidas nem a capacidade, e a imagem não está com uma boa resolução pois o Álvaro me enviou a foto em uma conversa informal.


A última licoreira, apesar de ser iridescente, não é considerada como carnival glass.

Alguns colecionadores vão discordar de mim, vão dizer que ela é sim carnival glass, e nesse caso vou deixar a critério de cada um escolher se é ou não, mas quero dar a minha explicação.

Muitos colecionadores, e eu sou um deles, consideram que carnival glass são peças iridescentes e feitas por meio de um molde.

São peças moldadas!

E essa licoreira não é moldada. Ela foi feita no sopro com o auxílio de uma cana, portanto não é considerada carnival glass.


Quatro licoreiras, quatro obras de arte da indústria vidreira, agora só falta o brinde! Saúde!

E saúde é o que estamos precisando no momento!

Fiquem bem! Se cuidem! O momento requer atenção!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Garrafa Licoreira Mystic Grape em Carnival Glass

Uma garrafa licoreira que tem muita história para contar!


Eu comprei essa licoreira no final de 2018, e quando ela chegou em casa fiquei surpreendido pelo formato, iridescência da cor fogo e a elegância de seu formato.

Como eu nunca tinha me deparado com uma garrafa dessas, e também não tinha nenhuma informação sobre a sua origem, recorri a Glen e Stephen Thistlewood, que depois de pesquisarem seus livros e arquivos me retornaram com a informação de que uma garrafa igual a essa aparecia enciclopédia de 2007 sobre carnival glass dos autores Mike Carwile e Bill Edwards.
Junto com essa informação, me enviaram um print da página do livro do Mike, que reproduzo aqui com a autorização do próprio Mike Carwile:

Uma tradução livre do texto, e desculpem qualquer erro...

"Mystic Grape. Este decantador (aprox. 34,3 cm) com tampa tem que ser o meu favorito de todos, e eu não sou realmente um grande fã de decantadores. Encontrado no Brasil, essa beleza bem projetada apresenta uma variedade em todo o seu padrão, como uvas, folhas e um design peculiar abaixo do cacho de uvas central, que me lembra duas raquetes de tênis sem corda ou até o rosto de uma coruja.
A parte de trás do decantador tem um padrão um pouco diferente.
A forma geral é mais interessante, especialmente o fino perfil lateral. Apenas o decantador na cor marigold (fogo) foi visto até hoje e eu adoraria ver o resto do conjunto. Muito obrigado a Karen e Allan Rath por nomear esse padrão e enviar a bela foto."

A Licoreira havia sido encontrada no Brasil por Karen e Allan Rath que já haviam mostrado algumas outras peças brasileiras para colecionadores de outros países.

Todas as características descritas no texto do Mike sobre a licoreira, podem ser vistas de forma melhor por meio de fotos.

O cacho de uva em um medalhão central, e abaixo dele os "olhos de coruja":




A parte de trás, com uma área maior livre de detalhes:


A silhueta fina, que como eu disse no começo, elegante:



Fotos da minha licoreira foram publicados no Network ezine Issue 44 de Janeiro de 2019 de Glen e Stephen Thisthewood, onde eles dizem que a minha peça é a segunda, em carnival glass, que se conhece entre colecionadores.

Enquanto o Network ezine estava sendo preparado, eu recebi uma mensagem de uma amiga, Sandy Sage, colecionadora de carnival glass, dizendo que a Mystic Grape de Karen Rath havia sido comprada pela sua falecida sogra Dolores Sage há alguns anos, e que a peça estaria indo a leilão no dia 06 de Junho de 2019 pelo site Seeck Auctions que pode ser verificado clicando aqui!

A peça foi arrematada por US$ 450.00!

E para minha surpresa, quem arrematou a licoreira foi um amigo meu, Greg Dilian, que dias depois de ter recebido a peça, compartilhou uma foto no Facebook, e foi aí que pudemos notar uma diferença entre a Mystic Grape dele e a minha Mystic Grape:


Foto: Greg Dilian 

Foto da minha Mystic Grape para comparação

A Tampa da Garrafa do Greg acompanhava o desenho/padrão apresentado no corpo da licoreira, enquanto a tampa da minha garrafa era totalmente lisa!
Seria minha tampa uma reposição da tampa original?

Essa pergunta ficou na minha cabeça ao longo de 2019, até que no final do ano eu comecei a finalizar minha pesquisa sobre a Esberard Rio e trabalhar com as imagens do catálogo da Esberard e com fotos das minhas peças.

E eis que no catálogo da Esberard, aparece uma garrafa/licoreira cujo padrão é conhecido por Vining Daisies, padrão encontrado com certa facilidade no Brasil, tanto em carnival glass, como em peças sem esse efeito, nas cores verde, azul, vermelha e transparente.


Repare na tampa da minha licoreira Vining Daisies. Ela apresenta a mesma decoração existente no corpo da garrafa!



Isso mostra que as fábricas de artigos em vidro podem ter modificado o desenho de partes de suas peças, como por exemplo as tampas das garrafas.
Podemos até "chutar" uma explicação para isso.
Por conta da fragilidade das tampas, por serem fáceis de se quebrarem, talvez ficasse mais fácil fabricar tampas que, sem a mesma decoração do corpo da garrafa, pudessem substituir uma tampa quebrada.
Ficaria fácil fazer uma reposição sem a necessidade de descartar a garrafa sem tampa.
Repare que, na imagem do catálogo, três garrafas possuem o mesmo formato de tampa.

Eu acredito que as peças mais antigas tivessem as tampas acompanhando o desenho da garrafa, e que essas tampas com menos detalhes, mais padronizadas, possam ter sido usadas após 1930.

Claro, volto a dizer que isso é uma suposição, portanto a tampa da minha Mystic Grape pode ser original?
Sim!

Mas também pode ser uma tampa de reposição?
Sim! (mas acho pouco provável)

E um último detalhe, a imagem da Esberard foi usada apenas para ilustrar a explicação das tampas. Não existe nehuma evidência que tenha sido a Cia. Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard que tenha fabricado a Mystic Grape.

Uma outra coisa, que até alguns dias me intrigava era, e os copos dessa licoreira?
Existiriam copos Mystic Grape?
Como Mike Carwile, eu também adoraria ver um conjunto desses completo!

E eis que, navegando pela internet me deparo com o site Flávia Santos Leilões com a seguinte foto:


Uma Mystic Grape na cor Verde com seis copinhos!!!!!

Ou seja, a Mystic Grape possui sim seus respectivos copos!
E a missão que eu tenho pela frente é encontrar esses copos em carnival glass! Tarefa difícil!

Para acessar o site Flávia Santos Leilões, que gentilmente cedeu a imagem clique aqui!

E para finalizar a publicação desse mês de carnaval, gostaria de lembrar que a minha pesquisa contando a história da Esberard (Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil) está disponível no site Carnival Glass Worldwide que pode ser acessado clicando aqui!

Peço que não deixem de prestigiar!


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Esberard Rio ou Companhia Fábrica de Vidros e Cristais do Brasil

Feliz 2020!!!!


 

O ano passado foi um ano um tanto quanto especial para mim.

Ao longo de 2019 eu fiz uma vasta pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional sobre a história da Companhia Fábrica de Vidros e "Crystaes" do Brasil, ou simplesmente como conhecemos hoje, Esberard Rio.

O texto começa em meados de 1838 quando Francisco Antonio Maria Esberard Chega ao Brasil e conta toda a trajetória da empresa até ela encerrar sua atividades no final da década de 1950.

Uma grande quantidade de informações foram retiradas de diversos periódicos de época e, o mais importante, conflitadas, para que não existissem falhas na história da Esberard.

Também existem várias imagens da fábrica, dos operários, de F. A. M. Esberard, mapas com a localização da Companhia na cidade do Rio de Janeiro e também imagens de um catálogo da empresa usado para vender sua produção. Imagens gentilmente cedidas por Clóvis Bezerra.

A pesquisa está disponível no site Carnival Glass Worlwide dos amigos Glen e Stephen Thistlewood que ajudaram e trabalharam bastante para que o resultado final estivesse disponível.

Na primeira parte, a história da empresa além das imagens que foram trabalhadas por Stephen.

Na segunda parte, as imagens do catálogo. Nem todas as imagens que o Clóvis Bezerra me forneceu estão lá. Isto porque o site Carnival Glass Worldwide, como o próprio nome diz, é específico sobre Carnival Glass, portanto somente essas imagens foram usadas.

A terceira parte que conterá fotos de peças minhas, do meu amigo colecionador Álvaro Aguiar e de outros amigos que organizam leilões pelo Brasil ainda não está pronta, mas acredito que ao longo de 2020 esse trabalho estará finalizado.

Nesse começo de ano me sinto realizado como colecionador, pois a história da Esberard é uma história que eu sentia necessidade de contar.

E o trabalho está aí, espero que gostem!

Para acessar a pesquisa, clique aqui!

Um bom ano para todos!


domingo, 23 de junho de 2019

Exposição Nacional de 1908 - Rio de Janeiro - Brasil

Durante minhas pesquisas sobre a fábrica de vidros Esberard,, e também sobre outras possíveis indústrias vidreiras da primeira metade do século passado, me deparei com alguns anúncios e reportagens que citavam uma "Exposição de 1908".

Fiquei curioso, e resolvi pesquisar um pouco mais sobre essa Exposição, imaginando que fora um evento que aconteceu em algum outro país.

Jamais imaginei que a "Exposição de 1908" era na verdade a "Exposição Nacional de 1908" e que acontecera na cidade do Rio de Janeiro, na época capital da República. República que ainda não havia completado 20 anos.

Por ser um evento tão grandioso, quase inimaginável para um Brasil da primeira década de 1900, resolvi escrever sobre ele, e mostrar um pouco da história brasileira, que nem eu conhecia até então.

A justificativa para tal evento era a comemoração dos 100 anos da abertura dos portos brasileiros para as nações amigas, decreto de Dom João VI.

Na prática, segundo historiadores, o motivo era fazer um levantamento sobre tudo o que era produzido no Brasil, desde agricultura, pecuária e gêneros alimentícios, passando por bens de consumo feitos pelas indústrias que começavam a aparecer em vários estados brasileiros, e pesquisas farmacêuticas ou de outras espécies.
E também, mostrar para outros países, o desenvolvimento que vinha ocorrendo na Capital da República, após um grande trabalho de urbanismo e saneamento.

Em 1907, com autorização da Lei do Orçamento, o então presidente da República Dr. Affonso Penna aprova como organizador do evento o Dr. Miguel Calmon Du Pin e Almeida e mais uma comissão composta por 41 membros.

O local escolhido para a exposição foi o bairro da Urca, no Rio de Janeiro, mais precisamente a área entre a Praia Vermelha, e a atual Avenida Pasteur.

Pavilhões foram montados para que estados brasileiros mostrassem seus produtos.
O único país estrangeiro a participar da Exposição foi Portugal, que segundo uma publicação da época "antiga metrópole a quem devíamos as origens da nossa civilização e o próprio ato cujo centenário comemorávamos.
Assim, ao nosso lado figurou a seção portuguesa em dois pavilhões, um dos quais em arquitetura gótica manuelina era uma das jóias arquitetônicas da exposição."
Abaixo, um croqui que mostra toda a área da Exposição, bem como seus pavilhões.
Para fazer uma comparação com a área atual clique aqui e veja a Urca pelo Google Maps.


Algumas fotos mostram a área da Exposição:


Do alto do morro da Babylônia:


Parada do bondinho que leva ao Pão de Açucar.


Pavilhões vistos do mar:


Se as fotos com uma visão geral já surpreendem, as fotos de cada construção surpreendem ainda mais.

Começando pelo portal de entrada onde se localizavam as catracas.


O bilhete de entrada custava 1$000, ou seja, Um Mil Reis que, segundo o conversor de moedas O Estadão, equivalente a R$ 50,00 nos dias de hoje.

Uma nota no Jornal da Exposição, jornal dirigido por Olavo Bilac, de 14 de Novembro de 1908 desmente um boato de que no dia 15/11 a entrada seria gratuita.
O interessante da nota é que ela diz que o jornal clamou por entradas gratuitas aos pobres, mas no fim da nota, a conclusão é curta e grossa "Amanhã a entrada é, como deve ser; - paga.".


Para o Pavilhão das Indústrias foi aproveitado o prédio da Escola Militar existente na Praia Vermelha.


Para o Palácio dos Estados / Palácio das Exposições foi aproveitada uma construção abandonada onde deveria funcionar a UFRJ, fato que não aconteceu pois não haviam recursos para a finalização da obra.

Atualmente, esse prédio abriga o Museu de Ciências da Terra.



Todos os outros Pavilhões foram construídos exclusivamente para a exposição.

O Distrito Federal:



Palácio da Bahia:


Palácio de São Paulo:


Palácio de Minas Gerais:


Palácio de Portugal:



Segundo o Almanaque do Garnier de 1910: " Restaurantes, mirantes sobre o mar, jardins, cafés, rinks, diversões múltiplas populares entre os relvados graciosos de jardins, exerciam grande fascinação sobre o povo, que principalmente aos domingos acorria aos mais longínquos arrabaldes para o espetáculo deslumbrante da iluminação a mais bela que jamais viram os cariocas.".
Essa iluminação era fornecida pela Light, e pelo que foi publicado, era o que existia de mais moderno na época.

Abaixo, os "relvados graciosos de jardins":


O Theatro Municipal E anúncios com os espetáculos do dia 07/09:




O Pavilhão Egípicio, destinado a apresentações musicais, por onde passaram artistas como Ernesto Nazareth e Osório Duque Estrada:


No Rink de Diversões Múltiplas, um destaque para os "Balanços hygienicos" e também a programação das festas fixas de uma sexta-feira, 16 de Outubro:



Na hora da fome, consegui descobrir dois restaurantes, um chamado "Restaurante Rústico" e outro, restaurante de luxo, o "Pão de Assucar", um restaurante "para quem prezava a saúde e não queria sofrer do estômago". Os preços variavam entre $500 e 1$800 (Réis) e eram servidos pratos como Paté de foie-gras truffé e Crevettes au Riz.


Além da mineração, agricultura, pecuária, indústrias alimentares, de laticínios e fibras, existiam também pavilhões que  destinados a mostrar as pesquisas e desenvolvimento do Brasil, eram eles, Jardim Botânico, Sociedade Nacional de Agricultura, Inspeção de Matas e Jardins, Correios e Telégrafos, Higiene e indústrias particulares.

Correios e Telégrafos:


Inspeção de Matas e Jardins:


As indústrias particulares participantes eram premiadas, e usaram essa premiação em anúncios publicitários nos anos seguintes.
Eis algumas indústrias participantes e premiadas.

Goiabada e marmelada Águia:


Pharmacia e laboratório J. B. de Medeiros Gomes:


Cofres Nascimento:


Laboratório Homeopathia Almeida Cardoso & C.


Pharmacia e Drogaria Moura Brasil (aquela dos colírios Moura):


A Exposição foi inaugurada em 11 de Agosto de 1908 e encerrada em 15 de Novembro do mesmo ano. (vale lembrar que toda essa estrutura foi erguida em pouco mais de 1 ano!).

Com o seu encerramento, a dúvida que pairava era o que seria feito com todo esse espaço.
O principal objetivo era que, por fim, as edificações virassem a Universidade do Rio de Janeiro.

Isso, é claro que não aconteceu. Tudo ficou 'as ruínas.

As fotos abaixo são de 1915 e mostram o Pavilhão da Bahia e o Palácio São Paulo.
me fizeram lembrar das Olimpíadas do Rio de Janeiro depois de 2016...



Para quem queira conhecer um pouco mais sobre a Exposição Nacional de 1908:

O site Brasil na Fotográfica possui um acervo com fotos de ótima qualidade, tiradas pelo fotógrafo Augusto Malta (1864 - 1957). Para acessar o link, clique aqui!

Na Hemeroteca Digital Brasileira, você encontra as 70 edições do Jornal da Exposição. Para acessar a Hemeroteca, clique aqui!

Também na Hemeroteca Digital Brasileira você encontra o Album de Exposição, clicando aqui. A capa do Álbum está reproduzida na próxima imagem:


Por fim, gostaria de dizer que a intensão dessa postagem é de apenas contar um fato que ocorreu no Brasil no início do século passado.
Fato, creio eu, desconhecido por muitos... assim como eu desconhecia...

Uma última foto, na minha opinião muito linda, tirada de uma das janelasdo Palácio de Bellas Artes com uma bela vista dos outros prédios da Exposição.