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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Twins - Imperial Glass

Sempre quando eu encontro, em sites de vendas ou catálogos de leilões, peças com identificação ou descrições incompletas ou erradas, eu procuro entrar em contato com o responsável pelo anúncio e passar todas as informações que eu conheço e que são necessárias para que a peça seja vendida com a descrição correta.

Pouquíssimas vezes, o responsável pelo anúncio entra em contato comigo dizendo que vai usar as informações.
Muito pelo contrário.
Na maioria das vezes minhas informações são ignoradas e já teve até caso do vendedor iniciar discussão comigo alegando que eu estava querendo saber mais do que ele...

Fazer o quê? Eu tento ajudar, mas infelizmente essa ajuda é vista de forma distorcida, como se eu quisesse prejudicar a venda...

Uma das peças mais fáceis de encontrarmos, principalmente em catálogos de leilões, é essa:




Peça oca, com 14,0 cm de altura, e os mesmos 14,0 cm de diâmetro máximo, normalmente é vendida como vaso/floreiro.

Mero engano...

Começando pela posição que, como pensam que é um vaso, a parte oca fica voltada para cima, sendo que na verdade ela é voltada para baixo.

E depois, e se eu te disser que essa peça combina com esse bowl de 25,0 cm de diâmetro por 15,0 cm de altura?



Conseguiu fazer a junção das duas peças?

Se você falou que é uma fruteira ou uma poncheira, acertou!


Apesar da Imperial Glass vender esse conjunto como poncheira/fruteira, muitos colecionadores acham estranho ela ser uma poncheira em razão de possuir uma parte muito ondulada impossibilitando o uso de muito líquido em seu interior.


Eu já acho estranho ser considerado como uma fruteira. Com essa base não fixa e preenchendo ela com frutas, ficaria muito fácil da parte superior cair e quebrar.
Mas talvez seja essa a razão de encontrarmos muitas bases sem a parte superior sendo vendidas como vasos.



O padrão é conhecido por "Gêmeos" (Twins) e aparece no catálogo da Imperial Glass De 1909.
Por não possuir o "IG", marca da Imperial, gravado nas peças, e também pelas características do vidro e iridiscência, acredito que essa peça seja anterior a 1920.

Um fato interessante é que você podia comprar as peças juntas ou separadas. E claro que a maior quantidade de peças que eram vendidas eram a parte superior.
E como a Imperial fabricou vários modelos de poncheira, e como ela também deveria fazer uma "liquidação" das bases que ficavam encalhadas, sem venda, é possível encontrar poncheiras onde a base diferente da parte de cima.

Algo totalmente aceito por colecionadores, mas que claro, diminui o valor da peça.


Portanto, não se enganem mais.
Quando encontrarem um vaso ou floreiro parecido com esse, saiba que na verdade ele é a base de uma poncheira.

Abraço para todos!


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Identificando peças da Esberard Rio

Para quem é colecionador de carnival glass, ou mesmo de peças de vidro moldado que não sejam iridescentes, sabe que o grande desfio é identificar o fabricante bem como o país de origem.

No exterior existem verdadeiros mestres nessas identificações.
Fazendo uso de catálogos antigos ou de anúncios que apareciam em jornais de época, muitos fabricantes possuem hoje suas peças reconhecidas em sites e livros especializados.

Colecionadores chegam a formar comunidades na Web para troca de informações, algo que infelizmente não acontece no Brasil, tanto que a maior parte de informações que eu troco com outras pessoas são de colecionadores que vivem no exterior.

Quanto a produção brasileira, sabemos que a Esberard Rio é a empresa nacional de maior destaque no colecionismo de vidro moldado, porém, descobrir se um carnival glass foi feito por ela ou por alguma outra empresa que supostamente se enveredou no "vidro fogo" brasileiro, é questão de sorte e muita procura.

Isso porque a Esberard chegou a gravar sua marca em alguma peças.
Algumas...
Portanto é necessário muita procura em sites de vendas, entre outros colecionadores, em antiquários e a sorte de encontrar alguma peça com o nome Esberard Rio gravado.

E é isso que eu quero mostrar para vocês, peças da Esberard e a maneira como atribuímos a sua fabricação.

Quando eu comprei esse Thistles and Crown eu imaginei que se tratava de uma produção argentina. Uma por causa do tamanho, 29,0 cm de diâmetro, outra por que o padrão de decoração não é um padrão muito ao gosto dos brasileiros.
Mas então, Glen Thistlewood descobriu uma saladeira vermelha, com o mesmo padrão e com a marca Esberard Rio gravada, sendo vendida no Mercado Livre.
A saladeira vermelha com a marca você pode ver no site do Mercado Livre clicando aqui.

Rainforest é um outro padrão produzido pela Esberard e que foi de fácil identificação pois consegui comprar dois porta-confeitos em forma de trevo que possuem o nome.
Por conta do tamanho pequeno e curvatura da peça a marca acabou saindo sem o "E"central.

Garland and Bows talvez seja o padrão mais conhecido da Esberard. E até hoje, todas as Garland and Bows que eu ví estavam identificadas com a logomarca.
Mas esse padrão tem uma história que começa lá na Europa.
E essa história eu vou deixar para contar futuramente.


Outra peça atribuída à Esberard é a Iraci.
O nome foi encontrado pelo meu amigo de Juiz de Fora, Álvaro Henrique, em uma compoteira verde que ele possuía mas que acabou sendo vendida. Portanto infelizmente não temos a foto da compoteira.


Outro fato que não deixa dúvidas quanto a origem do padrão Iraci, é que a Esberard produziu outros padrões semelhantes a esse, padrões muito próximos no uso das estrelas, pontilhados e pétalas.
Entre esses padrões temos o Iracema.
Na foto, uma taça de sobremesa Iracema com a marca gravada.

Uma outra peça que desde quando eu a adquiri me chama a atenção é o prato abaixo.

Ele me lembrava muito Iraci e Iracema, tanto que muitas vezes eu pegava as peças e ficava tentando identificar detalhes.


Até que há alguns dias eu encontrei essa cumbuca vermelha sendo vendida no Mercado Livre.
Na terceira foto é possível identificar algumas letras do nome Esberard.
Entrei em contato com o vendedor que gentilmente me autorizou a publicar as fotos e também confirmou que o o nome gravado era Esberard Rio.
Para ver o anúncio do vendedor, clique aqui.


Esberard Rio identificada como a fabricante da peça, restou apenas dar um nome ao padrão.
E o nome escolhido foi Sunny, Ensolarado.
Padrão formado por uma rosácea, cores quentes, lembrando uma tarde quente de primavera.

Várias outras peças comercializadas no Brasil são supostamente atribuídas à Esberard Rio, porém não existe uma prova exata para que essas atribuições sejam consideradas verdadeiras.
Portanto, no momento, o que temos que fazer é continuar pesquisando, procurando e contando com a sorte para encontrarmos essas provas e continuar mostrando para outros colecionadores de outras partes do mundo toda a beleza das peças "fogo" que foram produzidas no Brasil.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Jarra e copos Faiança Weiss

E o mês de Setembro terminou, mês do quarto aniversário do Do Tempo Do Guaraná de Rolha, e nenhuma comemoração foi feita...

Para me redimir disso, e também para comemorar a chegada da primavera, eis um jogo da Weiss muito bonito!
Um conjunto da década de 1950 com decoração muito rica, totalmente feita à mão, que faz lembrar uma floreira que você pode ver clicando aqui.

A jarra tem capacidade para 2,4 litros.
Possui a alça toda decorada, linhas douradas que acompanham o contorno da alça e dos gomos que formam a peça.



Os copos tem capacidade de 300 mililitros e assim como a jarra possuem o fundo interno todo em dourado.




A famosa numeração da Weiss, com o que provavelmente são as iniciais do artesão.

A peça maior possui mais números e as menores apenas uma parte dessa numeração.
Esse fato ocorre em outras peças, e você pode constatar clicando aqui para ver um jogo de sobremesa e também aqui para ver um conjunto de taças.

E assim que venha a primavera com todos os seus encantos para alegrar nossos olhos!

Um abraço para todos!

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O dilema de Dona Antônia

Antes de começar a publicação de hoje, preciso agradecer a participação de um amigo de Juiz de Fora, Álvaro Henrique Nicolau Aguiar, colecionador e vendedor, que forneceu informações detalhadas e interessantes sobre as peças de hoje.

Hoje, não vou mostrar uma única peça. São várias, com a mesma decoração, e talvez a decoração mais fácil de se encontrar em antiquários e sites de vendas.

Conhecida em algumas regiões brasileiras por "lágrima" e em outras por "gota", temos peças de vários formatos, tamanhos e cores.

Prato para bolo, compoteira aberta, compoteira fechada com seu respectivo presentoir.


Nas cores fogo (marigold), azul turquesa e transparente. Claro que essas são apenas cores que eu possuo. Provavelmente existam outras cores disponíveis.
De todas elas, a que mais se destaca é a compoteira fechada de pé baixo, que também é conhecida por "gota gorda", provavelmente por ela ser mais baixa e mais robusta, e também por "Dona Antônia" cuja origem do nome é um mistério.
A base da Dona Antônia possui decoração externa, a tampa possui decoração interna, e o prato de apoio, chamado de presentoir possui a decoração na parte inferior.
É possível reparar que a base da Dona Antônia e o prato de bolo são do mesmo molde.
O "dilema" da Dona Antônia é, qual o fabricante brasileiro que produziu essa peça no século passado?

A suspeita é que esse padrão era usado inicialmente pela Esberard Rio, e depois foi adquirido por uma fábrica chamada Guarani.

Informações que até o momento não podem ser confirmadas com exatidão, pois são informações passadas de boca em boca ao longo dos anos.

Mas alguns detalhes curiosos levantam a suspeita da veracidade dos fatos.

Eu encontrei informações em livros e em trabalhos acadêmicos de que existiu, no Rio de Janeiro, uma fábrica de vidros com o nome Guarani.
Informações técnicas sobre a fábrica, nenhuma sobre sua produção.

Outros fatos que existem são visíveis nas peças Dona Antônia. Veja as fotos abaixo:

Duas bases da Dona Antônia, as duas são da mesma cor, fogo (marigold). Porém a da esquerda possui uma iridescência mais alaranjada enquanto a da direita é mais amarronzada, ou como diria meu amigo Edward Freire, mais "queimada".

Além da iridescência, o fundo da amarronzada  é formado por raios concêntricos que chegam até a borda do pé, enquanto que a alaranjada possui raios concêntricos que terminam antes de chegar à borda.

De acordo com essas características, acredita-se que a Dona Antônia da esquerda foi produzida pela Esberard Rio, antes da década de 50, e a Dona Antônia da direita foi produzida pela Guarani entre as décadas de 50 e 60.

Como eu disse, são informações passadas por colecionadores e vendedores ao longo de muitos anos, a veracidade não está comprovada.

Mas quem sabe, algum dia, alguém, por algum acaso, descubra algum documento, livro, informativo, catálogo, revista, jornal, sei lá, alguma forma de comprovar e resolver o dilema de Dona Antônia?

Por enquanto, vamos apenas colecionar e apreciar os encantos dessas peças.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Carnival Glass Contemporâneo

Há 3 anos, época em que eu estava começando a colecionar Carnival Glass eu publiquei um texto onde eu falava das 4 épocas de produção dessas peças.

Vou explicar essas fases novamente:

Época do Carnival Glass Clássico, de 1907 até 1929, as peças eram ricas nos detalhes e nos padrões. Empresas americanas, inglesas, alemãs, e de alguns outros países europeus produziram itens que são o principal foco de colecionadores atuais.

Época da depressão, de 1930 a 1939. Nessa época, os grandes fabricantes americanos deixam de produzir peças mais refinadas e surgem empresas com maquinário capaz de produzir Carnival Glass em grandes quantidades. É nessa época que o nome Carnival começa a ser usado, pois peças populares serviam como brindes em feiras americanas, as Carnival Fair. Em contrapartida, na Europa a empresa alemã Brockwitz se tornava uma das maiores fabricantes de vidro da Europa. Com mais de 1200 funcionários, entre eles "designers" e engenheiros mecânicos trabalhando na empresa e morando em sua vila operária.

Época do Carnival Glass atrasado, de 1940 a 1959, depois da depressão, as empresas tentam continuar a produção. Mas são os últimos anos do glamour do Carnival Glass.

Época do Carnival Glass contemporâneo, a partir de 1960 algumas empresas tentam resgatar a produção de Carnival Glass.

E é sobre essa época que a publicação de hoje vai falar. E para isso, vamos usar peças de uma única empresa, a Indiana Glass Company.

Depois de anos passando por dificuldades financeiras e produzindo apenas artigos para bares e cozinha, a Indiana é vendida em 1957.

Com a venda, na década seguinte a empresa começa também a produzir vidro opalina, artigos para hotel, lâmpadas, etc. E no final da década de 1960 ela volta ao Carnival Glass usando tanto moldes antigos quanto moldes com novos padrões desenvolvidos para ela e também moldes comprados de outras empresas.

Um dos itens de maior sucesso da Indiana é a sua galinha compoteira.
A galinha da esquerda recebe o nome de Gold Carnival, e a da direita Blue Carnival.
Uma terceira cor também foi produzida em Carnival, a Lime Green e essa reprodução teve início no final da década de 1960 e encerrou no final da década de 1980.

Portanto, se alguém oferecer para você uma galinha compoteira carnival da Indiana dizendo que é de 1920, 1930... saiba que é mentira, elas foram produzidas apenas no final do século passado.

Outro padrão que foi reproduzido em Carnival Glass é o Lily Pons.

Apesar do padrão ser conhecido desde 1930, da mesma forma que as galinhas compoteiras, não existiu produção em carnival antes da década de 1960.

As cores usadas inicialmente eram o verde, o rosa e o transparente.

Um molde criado na década de 1970 é o Egg Relish, um prato de servir ovos cozidos recheados.

Apenas duas cores carnival foram produzidas, a dourada, cor desse prato, e a verde.
As cores carnival foram usadas apenas na década de 1970, mas outras cores foram produzidas até a década de 1990, entre elas azul, verde, âmbar e transparente.

Das peças contemporâneas da Indiana que eu possuo, a mais nova é a Windsor também conhecida como Royal Brighton.

O molde original era da Federal Glass e foi adquirido pela Indiana em 1982 e usado até o final dessa década.
Portanto nenhuma peça Windsor tem mais do que 35 anos!

Eu sempre digo, tome cuidado ao comprar uma peça Carnival Glass.
Infelizmente, no Brasil, todo anúncio que eu vejo dessas peças, quando o vendedor informa a data é sempre 1920/1930, no máximo 1940.

E na verdade a peça pode ser mais nova do que o próprio comprador...

Isso porque eu falei apenas de 4 peças de uma única empresa.

Portanto, se informe, pesquise!

Alguns colecionadores de Carnival Glass não admitem ter em sua coleção peças contemporâneas. Acham que chega a ser uma heresia misturar uma peça clássica com uma peça de produção mais moderna.

Agora, o que eu acho disso?

Bobeira... É tudo Carnival Glass!

Possui sua beleza, sua história. E sem esquecer que em 2080 serão peças de 100 anos...