No final do mês passado, eu recebi um e-mail de um amigo, Derek Sumpter, que vive em Hampshire, Reino Unido.
No e-mail ele e sua esposa Carol Sumpter suspeitavam de possíveis conexões entre peças produzidas na Alemanha no início do século passado com peças produzidas no Brasil.
Assunto muito intrigante!
Além dessas possíveis conexões, que provavelmente aconteceram, o que me chamou muito a atenção foi a matemática envolvida nessas peças.
E é isso que eu quero mostrar na publicação de hoje.
Mas antes, meus sinceros agradecimentos a Derek e Carol, por me passarem informações tão precisas e por permitirem publicá-las aqui no blog juntamente com as fotos dos pratos Blucher e ROM.
E também ao meu amigo Álvaro Aguiar por me enviar fotos de manteigueiras carnival glass tão lindas onde uma delas está sendo utilizada aqui na publicação.
A primeira peça é um prato, conhecido por ROM, produzido pela Brockwitz e que aparece no catálogo dessa empresa de 1915.
Quem conhece carnival glass brasileiro deve ter notado uma pequena semelhança com uma peça muito conhecida no Brasil.
Fácil fazer a conexão?
Acertou quem falou Olho da Rainha.
A estrela no círculo central do ROM lembra a estrela do Olho da Rainha.
A primeira opinião que eu tive, é uma explicação matemática.
Uma estrela de 6 pontas inscrita em uma circunferência é a maneira mais fácil de dividir, em partes iguais essa circunferência.
Trezentos e sessenta graus da circunferência dividido por seis resulta em 60° , ou seja, um hexágono inscrito na circunferência.
Mas, reparando bem, existe um detalhe que faz acreditar não ser apenas uma coincidência mas sim uma inspiração para a Guarany (?) iniciar o Olho da Rainha pelo desenho da estrela.
Esses riscos que saem da junção de duas pontas, são iguais no ROM e no Olho da Rainha. Não podem ser simples coincidências.
O próximo prato, Blucher foi comparado com um prato da Esberard, o Mundo Bom.
Aqui o prato com padrão Blucher.
E o Mundo Bom da Esberard.
Derek Sumpter acredita que a empresa alemã VEB Sachenglass usou um molde de uma outra alemã August Walther que produziu esse padrão na região de Dresden entre os anos 1920 e 1930.
A VEB Sachenglass usou esses moldes nos anos 1950 e 1960, e como sabemos, a Esberard Rio encerra suas atividades em meados de 1940.
Muito semelhantes.
Será que algum imigrante vindo da Alemanha para o Brasil trouxe a ideia do Blucher para a Esberard?
Ou alguém da Esberard viu o Blucher em alguma feira ou convenção e tentou fazer algo parecido?
A matemática por trás dos pratos é que o Blucher é formado por um decágono (36°) inscrito na circunferência enquanto o Mundo Bom é formado por um hexadegágono (22° 30').
Geometricamente, é mais difícil construir um decágono do que um hexadecágono, porém visualmente, o Mundo Bom parece ser um prato mais charmoso do que o Blucher.
E daqui a pouco eu vou explicar o motivo pois antes, para encerrar os polígonos inscritos, uma manteigueira do meu amigo Álvaro.
De começo eu confundi a manteigueira da foto com uma manteigueira Blucher que aparece no catálogo da Walther de 1936.
Mas a matemática não nos deixa enganar.
Como foi falado, a Blucher é formada por um decágono e essa manteigueira por um dodecágono, portanto mais uma peça com possíveis conexões com a Alemanha.
Agora vamos para a explicação do porque uma peça pode ser mais charmosa, bonita do que outra.
Por curiosidade e suspeita eu peguei a medida do raio de três peças e dividi pela medida da parte raiada ( a distância da borda até o início do anel central).
O resultado me deixou muito animado.
Peça 1 - Prato Blucher
O resultado de 14,4 dividido por 9,6 é exatamente igual a 1,5.
Peça 2- Prato Rosarinho
Dividindo 11,2 por 6,5 obtemos, aproximadamente 1,7
Peça 3 - Prato Mundo Bom
E o resultado de 12,8 dividido por 7,9 é 1,6 ou com precisão centesimal 1,62!
O que este resultado significa?
Que a medida do raio do Mundo Bom em razão (divisão) com a do raiado tendem a chegar a um número conhecido como "razão de ouro", "razão áurea" ou ainda "número de ouro" que é um número irracional e aproximadamente igual a 1,61803.
É um número muito comum na natureza e em alguns fatos curiosos, apesar de existirem matemáticos e cientistas tentando provar que em muitas situações a razão áurea não aparece.
Algumas pessoas o denominam como "número da beleza", ou seja, consideram que quando a razão entre duas medidas de um objeto resulta em 1,6 significa que esse objeto é "belo aos olhos".
Dos três pratos, dois chegam próximo a 1,6, diferença de um décimo, e um chega mais precisamente a esse valor.
Claro, vale lembrar que erros na tomada das medidas podem ter ocorrido, por mais cuidado que eu e o Derek tenhamos tomado, portanto tanto o Blucher quanto o Rosarinho darão uma diferença na igualdade da proporção áurea (Não, não vou entrar nesse assunto aqui!)
Mas o que me intriga é, será que essas medidas são propositais?
Ou será que foram feitas ao acaso e os meus resultados não passam de simples coincidências?
É, é a beleza do carnival glass com a magia da matemática!
E para finalizar, apenas uma pequena explicação do nome Mundo Bom para essas peças da Esberard Rio.
Quando eu fui dar o nome para as peças, fiquei na dúvida entre vários nomes, mas Mundo Bom ganhou a minha simpatia por dois motivos.
Primeiro porque esses raiados me lembram a abertura da novela Êta Mundo Bom da Rede Globo de Televisão.
Os raiados me lembram o sol que aparece na logomarca da novela.
Segundo porque foi nessa mesma novela que eu vi uma peça carnival glass sendo usada pela primeira vez como peça de cenário.
A peça é um vaso brasileiro conhecido como Aztec Headdress (Cocar Azteca) e faz parte do cenário que é a casa dos personagens dos atores Tarcísio Filho e Débora Olivieri que aparece nessa cena:
Portanto, nada mais justo do que fazer uma homenagem e batizar o padrão de Mundo Bom!
Um blog para quem gosta de antiguidades, principalmente Carnival Glass.
Translate
Mostrando postagens com marcador Brockwitz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brockwitz. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 6 de abril de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
O sotaque de Louise
Em 06 de Março de 2013, eu falei sobre essa compoteira alemã da Brockwitz.
Além de falar sobre a peça, eu publiquei a imagem de um catálogo da Brockwitz de 1915 onde o padrão era chamado de "Louise".
Para ver essa publicação, clique aqui.
Nesses últimos três anos, muitas peças com o padrão Louise apareceram no eixo Rio de Janeiro - Minas Gerais, principalmente uma saladeira com 26,0 cm de diâmetro e cumbucas com 10,5 cm de diâmetro.
Qual a explicação para isso?
Diferente de outros padrões da Brockwitz, Louise não aparece em nenhum outro catálogo da empresa após 1915.
Provavelmente, nesse período entre a primeira e a segunda guerra mundial, algum imigrante acabou trazendo o molde de Louise para o Brasil. E este acabou sendo usado na fabricação de novas peças.
Vale dizer que essa saladeira e suas respectivas cumbucas não são catalogadas pela Brockwitz. Portanto, possivelmente, fabricação nacional.
O que mais me chama a atenção, é que é possível encontrar saladeiras e cumbucas com iridescências diferentes:
Seria o mesmo caso da Compoteira Dona Antônia?
O molde de Louise teria sido usado por empresas diferentes?
Isso é algo realmente difícil de confirmar...
Outra peça Louise que eu possuo é uma manteigueira individual. Aquelas manteigueiras que eram encontradas sobre as mesas dos hotéis na hora do café da manhã.
É claro que algumas Louise encontradas no Brasil sejam na verdade alemãs, produzidas pela Brockwitz.
Os imigrantes alemães que vieram para o sul do Brasil devem ter trazido peças europeias.
Mas confirmar a origem, é difícil.
Por isso que gosto de imaginar que as Louise são brasileiras com sotaque alemão!
Bem a cara do nosso Brasil!
Além de falar sobre a peça, eu publiquei a imagem de um catálogo da Brockwitz de 1915 onde o padrão era chamado de "Louise".
Para ver essa publicação, clique aqui.
Nesses últimos três anos, muitas peças com o padrão Louise apareceram no eixo Rio de Janeiro - Minas Gerais, principalmente uma saladeira com 26,0 cm de diâmetro e cumbucas com 10,5 cm de diâmetro.
Qual a explicação para isso?
Diferente de outros padrões da Brockwitz, Louise não aparece em nenhum outro catálogo da empresa após 1915.
Provavelmente, nesse período entre a primeira e a segunda guerra mundial, algum imigrante acabou trazendo o molde de Louise para o Brasil. E este acabou sendo usado na fabricação de novas peças.
Vale dizer que essa saladeira e suas respectivas cumbucas não são catalogadas pela Brockwitz. Portanto, possivelmente, fabricação nacional.
O que mais me chama a atenção, é que é possível encontrar saladeiras e cumbucas com iridescências diferentes:
Seria o mesmo caso da Compoteira Dona Antônia?
O molde de Louise teria sido usado por empresas diferentes?
Isso é algo realmente difícil de confirmar...
Outra peça Louise que eu possuo é uma manteigueira individual. Aquelas manteigueiras que eram encontradas sobre as mesas dos hotéis na hora do café da manhã.
É claro que algumas Louise encontradas no Brasil sejam na verdade alemãs, produzidas pela Brockwitz.
Os imigrantes alemães que vieram para o sul do Brasil devem ter trazido peças europeias.
Mas confirmar a origem, é difícil.
Por isso que gosto de imaginar que as Louise são brasileiras com sotaque alemão!
Bem a cara do nosso Brasil!
sábado, 23 de agosto de 2014
Jogo de sobremesa Louise, da Brockwitz
O padrão já é conhecido na minha compoteira Louise em Carnival Glass.
Agora chegou a hora de um conjunto de prato e cumbucas.
As cumbucas com o padrão alemão Louise.
Apesar do padrão catalogado, tenho minhas dúvidas quanto a origem das peças, e vou explicar porque.
Tudo está no prato.
O desenho é o Louise, porém as 5 pétalas que aparecem bem destacadas nas cumbucas são apenas um relevo no prato.
E mais, no único catálogo da Brockwitz, de 1915, onde esse padrão aparece, não existe menção ao prato e nem às cumbucas.
Seria uma reprodução?
Realmente não sei.
O formato do prato me lembra produção argentina, e só.
Vou convidar especialistas para darem uma olhada no prato, e assim que tiver uma resposta faço uma atualização da publicação.
Agora chegou a hora de um conjunto de prato e cumbucas.
As cumbucas com o padrão alemão Louise.
Apesar do padrão catalogado, tenho minhas dúvidas quanto a origem das peças, e vou explicar porque.
Tudo está no prato.
O desenho é o Louise, porém as 5 pétalas que aparecem bem destacadas nas cumbucas são apenas um relevo no prato.
E mais, no único catálogo da Brockwitz, de 1915, onde esse padrão aparece, não existe menção ao prato e nem às cumbucas.
Seria uma reprodução?
Realmente não sei.
O formato do prato me lembra produção argentina, e só.
Vou convidar especialistas para darem uma olhada no prato, e assim que tiver uma resposta faço uma atualização da publicação.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Floreira em vidro fogo / Carnival glass jardiniere
Já que a última postagem falou de uma jardineira em faiança, resolvi mostrar uma jardineira em vidro fogo para abrir o mês de agosto.
Fabricada pela Brockwitz, empresa alemã localizada na cidade de mesmo nome, perto da cidade de Dresden.
E vamos a um pouco de história!
Quando se fala em carnival glass, sem sombra de dúvidas as empresas americanas são referências, são as mais colecionáveis, e as mais importantes na indústria do vidro... será?
A Brockwitz iniciou suas atividades no início dos anos de 1900 com aproximadamente 300 empregados. Em 20 anos o número de funcionários chegou a 1200!
Foi uma das principais indústrias de vidro na Europa.
Não utilizava, nem copiava padrões estrangeiros, muito pelo contrário, possuía seus próprios "designers".
Não precisava comprar maquinários, possuía uma equipe de engenheiros e mecânicos responsáveis em projetar e colocar em funcionamento todo o equipamento necessário para a produção.
Suas exportações incluíam Reino Unido, América do Norte, América do Sul, e claro, países da Europa.
Era o verdadeiro exemplo da indústria alemã produzindo... vidro.
Em 1940, com a segunda guerra mundial, a história muda.
A empresa entra em decadência, até o momento em que chega a ser controlada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas que levam para a Rússia todo o maquinário da Brockwitz.
Por fim, em 1960, um incêndio acaba destruindo o que restava da indústria, era o fim da Brockwitz.
Que história, daria um filme!
E a minha pergunta continua. Será que apenas as indústrias americanas são referências na produção de carnival glass?
É claro que não!
Além do que já foi falado quanto a indústria, os produtos possuíam características próprias.
Os formatos das peças muitas vezes eram diferentes. Essa jardineira, por exemplo, pode ser chamada de "bowl banana" por causa do seu formato.
A Brockwitz produziu apenas peças nas cores marigold (cor dessa jardineira) e azul.
O desenho da peça não parecia ter sido feito em um molde, parecia ter sido lapidado no bico de diamante.
Olha, é uma indústria impressionante!
Seus produtos começaram a ficar conhecidos há pouco tempo. Ainda existem muitos padrões a serem investigados e catalogados.
Mas vamos deixar de história, e vamos a mais fotos.
A parte interna.
O padrão é conhecido como "super estrela" algumas referências dizem que é um padrão muito difícil de ser encontrado.
Realmente parece que foi lapidado à mão.
Os padrões da Brockwitz praticamente eram feitos somente na parte externa da peça.
Repare na iridiscência da peça. Parece feita com ouro!
O fundo também possui uma super estrela.
O nome "Super Estrela" está referenciado no site de um especialista David Doty, porém ao pesquisar o site da Pamela Wessendorf, encontrei a seguinte informação no catálogo de 1915 da Brockwitz.
A peça é chamada de jardineira e o nome do padrão é Zürich.
Portanto fica a cargo dos colecionadores optarem qual nome darão para suas Jardinière.
Fabricada pela Brockwitz, empresa alemã localizada na cidade de mesmo nome, perto da cidade de Dresden.
E vamos a um pouco de história!
Quando se fala em carnival glass, sem sombra de dúvidas as empresas americanas são referências, são as mais colecionáveis, e as mais importantes na indústria do vidro... será?
A Brockwitz iniciou suas atividades no início dos anos de 1900 com aproximadamente 300 empregados. Em 20 anos o número de funcionários chegou a 1200!
Foi uma das principais indústrias de vidro na Europa.
Não utilizava, nem copiava padrões estrangeiros, muito pelo contrário, possuía seus próprios "designers".
Não precisava comprar maquinários, possuía uma equipe de engenheiros e mecânicos responsáveis em projetar e colocar em funcionamento todo o equipamento necessário para a produção.
Suas exportações incluíam Reino Unido, América do Norte, América do Sul, e claro, países da Europa.
Era o verdadeiro exemplo da indústria alemã produzindo... vidro.
Em 1940, com a segunda guerra mundial, a história muda.
A empresa entra em decadência, até o momento em que chega a ser controlada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas que levam para a Rússia todo o maquinário da Brockwitz.
Por fim, em 1960, um incêndio acaba destruindo o que restava da indústria, era o fim da Brockwitz.
Que história, daria um filme!
E a minha pergunta continua. Será que apenas as indústrias americanas são referências na produção de carnival glass?
É claro que não!
Além do que já foi falado quanto a indústria, os produtos possuíam características próprias.
Os formatos das peças muitas vezes eram diferentes. Essa jardineira, por exemplo, pode ser chamada de "bowl banana" por causa do seu formato.
A Brockwitz produziu apenas peças nas cores marigold (cor dessa jardineira) e azul.
O desenho da peça não parecia ter sido feito em um molde, parecia ter sido lapidado no bico de diamante.
Olha, é uma indústria impressionante!
Seus produtos começaram a ficar conhecidos há pouco tempo. Ainda existem muitos padrões a serem investigados e catalogados.
Mas vamos deixar de história, e vamos a mais fotos.
A parte interna.
O padrão é conhecido como "super estrela" algumas referências dizem que é um padrão muito difícil de ser encontrado.
Realmente parece que foi lapidado à mão.
Os padrões da Brockwitz praticamente eram feitos somente na parte externa da peça.
Repare na iridiscência da peça. Parece feita com ouro!
O fundo também possui uma super estrela.
Como toda peça carnival glass quando colocada contra a claridade, a cor original do vidro é revelada.
Para comparar tamanhos, uma foto com algumas peças da minha coleção.
Atualizado em 31/10/2013
O nome "Super Estrela" está referenciado no site de um especialista David Doty, porém ao pesquisar o site da Pamela Wessendorf, encontrei a seguinte informação no catálogo de 1915 da Brockwitz.
Fonte: www.glas-musterbuch.de
A peça é chamada de jardineira e o nome do padrão é Zürich.
Portanto fica a cargo dos colecionadores optarem qual nome darão para suas Jardinière.
Assinar:
Postagens (Atom)










