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quarta-feira, 6 de março de 2013

Cachepô Carnival Glass / Brockwitz's compote bowl

Antes da publicação de hoje, queria dizer que fiz muitas alterações nas postagens das peças em vidro fogo.
Tenho me dedicado um pouco mais ao estudo dessas peças, e tenho descoberto coisas bem interessantes.
Portanto, antes de ver a publicação de hoje, vale a pena dar uma olhada nas outras peças já publicadas.

Agora sim, o cachepô/centro de mesa de hoje.
Já são conhecidas mais de 50 cores/tonalidades para peças Carnival Glass.
Essa é de uma tonalidade âmbar, mas é um âmbar puxado para um dourado bem intenso.
É uma cor bem bonita, única peça da minha coleção nessa tonalidade, pois a maior parte das minhas peças são na cor alaranjada, conhecida como marigold.
A iridiscência da peça.

O padrão está apenas na parte externa da peça, não consegui identificá-lo nas minhas referências.
A parte superior é um leque de 5 pontas, e esse leque está sustentado por duas pedras de jóias.
A borda é dentada e, além do leque e das pedras, o padrão possui um pontilhado bem próximo à base e no fundo temos uma flor de 9 pétalas.



Apesar do padrão não identificado, algo muito comum em peças Carnival Glass, dois detalhes me fazem crer que a peça é bem antiga.
O primeiro, que eu já comentei, é o fundo revelando a cor original do vidro.
Em peças mais modernas é muito difícil encontrar essa característica.
outro detalhe é a presença de bolhas de ar no vidro moldado.

 Não são muitas, consegui contar 6 bolhas de ar em toda a peça.
Você pode pensar que essas bolhas depreciem a peça.
Muito pelo contrário.
Desde que não sejam bolhas grandes que corram o risco de estourarem a peça, elas indicam que a peça é bem antiga.
Nos primórdios do Carnival Glass as empresas não tinham um controle de qualidade com as  exigências que existem hoje, portanto essas pequenas bolhas são muito normais de aparecerem.

Pelo padrão mais trabalhado e pela presença dessas bolhas, tenho a impressão de se tratar de um cachepô da primeira fase das peças carnival, a época clássica.

A peça possui um diâmetro máximo de 18,0 cm e 11,0 cm de altura.

Atualizado em 31/10/2013

Muita gente me pergunta como é feita a identificação de uma peça como essa.
Existem livros e sites escritos por especialistas que contem a identificação de muitas peças, eles são a forma mais fácil de pesquisa.
Porém, algumas peças não estão catalogadas nem em livros, nem em sites, e são essas que dão muito mais trabalho.
Quando essas peças eram produzidas, as industrias vendiam elas através de catálogos, catálogos como esses que conhecemos hoje em dia de certas indústrias de perfume.
E para a alegria dos colecionadores, esses catálogos estão sendo resgatados e algumas pessoas estão publicando-os e divulgando-os.
Pamela Wessendorf, especialista em vidros de época, possui dois sites que ajudam muito na identificação, www.pressglas-pavillon.de é um site composto por fotos de peças de vários colecionadores, já o site www.glas-musterbuch.de  possui catálogos de época de várias fábricas da Europa.
E foi pesquisando catálogos que descobri o fabricante dessa peça que na verdade não é um cachepô, mas sim uma compoteira. Veja a página do catálogo da Brockwitz publicada em 1915.
Fonte: www.glas-musterbuch.de

Pois é, minha compoteira faz parte do conjunto para servir da Brockwitz batizado de "Louise".

Fonte: www.glas-musterbuch.de

Pronto, fabricante identificado, padrão identificado, apenas a data é que continua a incógnita.
O catálogo é de 1915, porém a minha peça pode ter sido produzida anteriormente ou posteriormente a essa data.
Para identificar uma data aproximada é necessário fazer uma análise das características e da cor da peça.
E de acordo com essas características, posso afirmar que a minha peça é datada muito próximo a 1915.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Caixa de geladeira - Cerâmica Mauá

A terceira caixa de geladeira do meu acervo.
Essa é uma caixa oval, parece um pequeno melão...
Caso você não saiba o que é uma caixa de geladeira, clique aqui.
O pegador da tampa parece dois pedaços de fitas.

Medidas aproximadas, 21,0 cm de comprimento, 16,0 cm de largura e 13,0 cm de altura.


Como já disse anteriormente, fotos não conseguem reproduzir a real beleza da peça. Posso garantir que ao vivo ela é uma peça muito bonita.

Uso essa caixa para guardar remédios dos meus cachorros. E ela fica no meu louceiro da cozinha junto com as outras duas caixas já publicadas.
A marca da Cerâmica Mauá.

A locomotiva estampada na marca representa uma locomotiva chamada "Baronesa".
O nome ""Baronesa" homenageia o Barão e Visconde de Mauá, cuja ferrovia pioneira inaugurou-se em 1854. (Albuquerque, Reis e Carvalho - Atlas histórico escolar)

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Jogo para bolo DP

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Não é "mais um jogo para bolo", é "o jogo para bolo".
Um jogo com muito dourado.
O prato maior mede 27,5 cm de diâmetro e possui detalhes em relevo.

Os pratos menores possuem 17,0 cm de diâmetro.

A parte dourada possui desenhos feitos em dourado fosco, o que acaba deixando os pratos muito mais lindos.
O desenho central mostra um cavalheiro cortejando uma dama. É a famosa "cena galante", encontrada facilmente em decorações de louças.
Repare que a cena possui uma assinatura: Fragonard.
Jean-Honoré Fragonard foi um pintor francês que viveu entre 1732 e 1806.
Morou em Roma após ganhar um prêmio com uma tela de tema bíblico.
Quando retornou a Paris, se dedicou a pintar cenas galantes e cenas com teor erótico.
Isso durou até seu casamento. A partir daí começou a pintar cenas com motivos familiares.
Não acredito que essa cena seja de algum quadro de Fragonard, acho que possa ser uma cena baseada em alguma tela... o desenho é de um traçado muito simples se comparado com obras de Fragonard.

Quanto a marca dessa porcelana, é uma porcelana DP. Produzida na década de 1960.

Por ser uma porcelana com decoração muito bem feita, e pela logomarca parecer um brasão, essa porcelana é facilmente confundida com porcelana estrangeira.
Já chegaram a me dizer que DP significava "Deutsch Porcelain", e na verdade DP significa "decoração em porcelana"...

Repare na logomarca da DP em um dos pratos menores desse jogo.
 Essa logo era um adesivo que na hora de ir para o forno se rasgou e acabou revelando o que parece de um "R" gravado na porcelana.
A primeira vez que vi isso numa porcelana DP achei que era uma falsificação. Algo muito estranho para uma porcelana nacional, falsificação.
Entrando em contato com Fabio Carvalho que é especialista no assunto, ele me explicou que a DP não produzia as peças, comprava de outras empresas e apenas fazia a decoração.

Fato explicado! E o "R"da foto acima? Provavelmente é o R da logomarca da Porcelana Real.

E é aí que eu digo que a louça brasileira não deixa nada a desejar para a louça de outras nacionalidades.
Peças da DP são muito disputadas e caras.
Hoje mesmo venderam no Arremate do Mercado Livre um gomil (bacia e jarro) da DP, jarro com 13,0 cm de altura e bacia com 14,5 cm de diâmetro, por nada mais nada menos do que R$ 230,00!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Compoteira em vidro lapidado / Compote dish in cut glass

A publicação de hoje é uma compoteira.
Medindo 15,0 cm de altura por 18,0 cm de diâmetro.
Com essas medidas pode ser usada como bomboniere.
E aqui em casa, é essa a função dela, guardar bombons e chocolates.
Alguns vão dizer que a lapidação é de flores estilizadas. Para mim parecem mais com flocos de neve.

Apesar do vidro ter uma espessura de apenas 3,0 mm é um vidro bem forte, resistente.
E é necessário que o vidro seja bem resistente mesmo, caso contrario ele se quebraria ao ser lapidado.

Hoje em dia é muito difícil encontrar alguém que faça lapidação em vidro.
Quando mandei fazer os vidros desse louceiro corri por Curitiba inteira procurando alguém que trabalhasse com lapidação... não encontrei... é um trabalho em extinção...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vasos Zappi

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Vamos imaginar que uma pessoa, passeando por uma feira de antiguidades, encontre esse par de vasos sendo vendidos.
Dois vasos em pó de pedra. Cada um com, aproximadamente, 14,0 cm de altura e diâmetro máximo de 10,0 cm.
Decoração floral, pintado à mão, em azul com contornos dourados.



As flores contornam as peças.
O vendedor  diz que são vasos italianos da marca Zappi. Antigos, bem antigos, provavelmente década de 1920.
E claro que, sendo vasos italianos, o preço é bem camarada, R$ 200,00 o par.

A pessoa pensa, são italianos, antigos, preço bom, e compra feliz da vida!
Quando chega em casa, vai procurar na internet mais informações sobre a Zappi, e acaba descobrindo que os vasos são brasileiros, da Indústria de Louças Zappi S.A. e que devem ter uma datação entre as décadas de 1940 e 1950 e que poderia ter pago bem menos pelos vasos. (apesar que a marca Zappi é uma das marcas mais caras de louças brasileiras)

...
Parece brincadeira? Mas não é.
Já comentei aqui sobre o cuidado que devemos ter com certos vendedores e, principalmente, desconfiar quando dizem que alguma peça é Inglesa, Italiana, Polonesa...
E uma coisa vou falar para vocês, isso realmente acontece. Weiss  e DP sendo vendidas como alemãs, Zappi como italiana e por aí vai.

Repare que a peça não possui a identificação de origem.

Pois bem, vou falar um pouco sobre essa identificação.

Em 1890, o então presidente dos Estados Unidos, William McKinley, determinou através de um ato que todos os produtos que entrassem nos Estados Unidos deveriam estar identificados com o nome do país de origem.
Isso geraria uma tarifa de importação sobre esses produtos deixando-os mais caros que os produtos feitos pelos americanos, ou seja, os produtos americanos seriam mais fáceis de serem comercializados.

Hoje em dia essa identificação facilita a vida de colecionadores, por exemplo, de louça inglesa, que era muito exportada para a América.

Se você comprar um prato, e disserem para você que é um prato inglês de 1920, e esse prato não tiver o nome "England" gravado nele, pode cair fora, o prato não é inglês!

Em 1921 esse ato foi alterado dizendo que o nome do país de origem de produtos de importação dos EUA deveriam estar precedidos das palavras "Made in".

Vale dizer que algumas indústrias já usavam o "Made in" antes mesmo dessa lei.

E no Brasil? Bem no Brasil muitas indústrias produziam sem a intenção de exportação. Por isso encontramos esse par de vasos Zappi, sem identificação de origem, produzidos entre as décadas de 1940 e 1950

Como eu digo, caso tenha dúvidas sobre uma peça, sua origem, sua datação, pergunte para alguém com mais experiência e, não compre por impulso.

Muito bem, e para terminar (acho que me empolguei um pouco demais), aqui em Curitiba temos as feiras de rua. São feiras pequenas, algumas com no máximo 10 barracas vendendo frutas, verduras, embutidos...

E essas feiras possuem uma característica que eu sempre gostei e que me faz acordar cedo em um domingo para fazer compras na feira.

Grande parte dos vendedores moram em propriedades rurais, e acabam produzindo muitas das coisas que eles  acabam vendendo.
Frutas variadas, feijão amendoim, alfaces de diversos tipos, conservas, etc.

Agora, o que é bem curitibano, é que quando chega a primavera eles começam a produzir e vender flores.

Vários tipos de flores!

Dálias

Bocas de leão de todas as cores.

Palmas, copos de leites, margaridas...
Depois de um inverno onde normalmente temos as geadas que acabam queimando as plantas, deixando tudo em tom de marrom, é o momento que sabemos que tudo será renovado... é uma sensação muito boa.

Fica fácil decorar a casa com vários tipos de flores gastando pouco. Os buquês custam de R$ 2,00 a R$ 6,00.

E eis meu São Francisco, com suas margaridas nos vasos Zappi.