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terça-feira, 10 de novembro de 2020

Novas descobertas Carnival Glass da Esberard

Uma coisa que eu não canso de dizer é que quando eu acho que tudo o que a Esberard produziu em carnival glass já foi descoberto, eis que aparece uma peça nova.
E este mês não foi uma descoberta apenas, foram algumas descobertas, a maioria comprovadamente fabricadas pela Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard Rio.

No mês passado eu recebi um e-mail de um colecionador, Thiago Zanette que mora em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, onde ele dizia que possuía algumas peças que não apareciam aqui no blog.

Pedi para ele me mandar fotos.

Minha primeira surpresa não foi com as peças, mas sim em saber que Thiago Zanette é um jovem colecionador de 23 anos.
Isso me deixou muito contente pois mostra que estamos tendo uma renovação entre colecionadores, estamos conseguindo passar essa paixão pelo antigo aos mais novos.

Mas a maior surpresa foi com a coleção do Thiago.
Não só carnival glass, mas vidros de várias cores, vários padrões, vários formatos.
E muitas peças!

Entre essas muitas peças, claro que as que mais me chamaram a atenção foram as carnival glass, e são essas que quero mostrar aqui.

A primeira é um epergne, um centro de mesa que serve para colocar frutas e flores.




Quando eu vi a foto, fui fazer uma busca no catálogo da Esberard, e eis que:




Só que o epergne do Thiago não possui a tulipa, peça que se encaixa na base.

Quando eu lhe disse, ele me mandou foto de um outro epergne da coleção dele, completo, com a tulipa e a base:


Peças lindas e únicas, produzidas pela Esberard.


Outras peças da coleção do Thiago são três taças na cor fogo cuja decoração é feita com motivos lapidados no vidro.


O surpreendente é que essas taças mostram que a Esberard não trabalhou apenas com vidro moldado, ela também produziu vidro soprado com decoração lapidada.

A prova disso é que no catálogo da Esberard existe uma página com desenhos de decoração.

E o desenho G.3 é justamente o desenho dessas taças!


Vale lembrar que por não ser vidro moldado, mesmo sendo iridescente, alguns colecionadores não consideram essas peças carnival glass.

Eu particularmente gosto de chamar esse tipo de vidro de "casca de cebola".



Uma descoberta incrível feita pelo Thiago é um copo que ele batizou de Milhinho.


Em um primeiro momento eu imaginei que pudesse ser uma peça da Esberard.

O catálogo da Esberard possui algumas páginas com vários copos com decorações das mais diversas.

Infelizmente, Milhinho não aparece entre esses vários copos.

Mandei a foto para Glen e Stephen Thistlewod para saber se eles já haviam visto esse padrão.

Para eles, o copo também é uma novidade, portanto Milhinho é descoberta do Thiago, mas até o momento desconhecemos o fabricante.


Uma coisa que eu acho interessante é que em outros países, copos são altamente colecionáveis, e a quantidade de padrões usados em copos carnival glass é imensa.

Já no Brasil, eu não conheço nenhum colecionador de copos. seria interessante ver uma coleção dessas no Brasil.

Uma última peça do Thiago que quero mostrar é um vaso.


Pela foto é possível ver que ele possui um padrão interno, umas linhas em parafuso.

Alguns vasos da Esberard possuem esse padrão.

A borda ondulada também é característica de alguns vasos da Esberard.


O catálogo da Esberard possui vários vasos, alguns semelhantes a este. mas nenhum é exatamente igual, portanto não podemos afirmar que seja um Esberard.



Saindo das peças do Thiago Zanette, quero mostrar um saleiro que foi leiloado por Daniel Chaieb Leilões, o Saleiro Canoa:



O saleiro Canoa é uma peça Esberard, e aparece em seu catálogo. como item número 100.



Para verificar quais são os próximos leilões de Daniel Chaieb, clique aqui.


A última peça que eu quero mostrar é uma peça que uma amiga minha diz ser "palaciana", uma fruteira conhecida como Diamante.



Os detalhes da peça são incrivelmente lindos!





E adivinhem!

Sim! Diamante é uma peça que foi feita pela Esberard!



Depois de tantas novidades, quero deixar meu agradecimento ao amigo Thiago Zanette pela oportunidade que ele me deu de mostrar aqui no blog uma pequena parte de sua coleção. 

Espero que seja apenas a primeira de muitas participações dele aqui conosco.

Meus agradecimentos a toda equipe Daniel Chaieb Leilões e também ao amigo Clóvis Bezerra por sempre permitir que eu use as imagens do catálogo.

 No próximo mês vou apresentar outros amigos colecionadores com suas peças formidáveis! Aguardem!




 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Cerâmica Esberard - Folha de Couve

 Setembro é o mês de aniversário do blog Do Tempo do Guaraná de Rolha!

E para comemorar essa data, vamos sair um pouco dos vidros carnival glass e apresentar uma louça.

Mas não é fugir totalmente, pois a louça da qual vou falar foi produzida pela maior indústria que já fabricou carnival glass no Brasil, a Esberard.


Um pouco de história que acabei descobrindo nas minhas pesquisas sobre a fabricação de vidro no Brasil:


Por volta de 1838, Bernardo Esberard, um francês natural de Marselha, instalou em Vila Inhomirim, atual distrito de Magé no estado do Rio de Janeiro, uma cerâmica.

Vila Inhomirim foi escolhida por causa da qualidade do barro encontrado na região. 

Mas a malária acabou vitimando dois amigos, também franceses, e o próprio Sr. Bernardo, o que fez ele abandonar Vila Inhomirim e instalar uma fábrica de louças na rua General Bruce, no bairro de São Cristovão, na cidade do Rio de Janeiro.



Além da Fábrica de Vidros, A Rua General Bruce era o endereço da Cerâmica Esberard

A primeira talha de água do Brasil foi fabricada pela empresa do Sr. Bernardo Esberard, que também manufaturava objetos de uso comum tais como moringas, copos, panelas e vasos.

Na década de 1870, com a morte de Bernardo Esberard, quem assume a fábrica de louças é seu filho, Antônio Francisco Maria Esberard, o também fundador da Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil, mais conhecida como Esberard Rio.

Não é possível datar até quando a Cerâmica Esberard esteve ativa, mas nas minhas pesquisas eu encontrei menção à fábrica em periódicos da década de 1920.


Agora sim, a louça Esberard!

No mês de Agosto, aconteceu no Rio de Janeiro o leilão Acervo Brasil, que para minha surpresa colocou em pregão dois lotes com 3 peças da Cerâmica Esberard.

O primeiro lote era composto por duas tigelas Folha de Couve, cada uma medindo 13,0 cm de altura por 22,0 cm de diâmetro.




E a marcação e comprovação F. A. M. Esberard (Francisco Antônio Maria Esberard)), S. Christovão, R. de Janeiro.

Se levarmos em conta as reformas ortográficas da língua portuguesa, e São Cristovão escrito com "Ch", podemos dizer que as peças foram produzidas antes de 1911.




O segundo lote era composto pela terceira peça, também uma folha de couve, mas com dimensões maiores, 19, cm de altura por 34,0 cm de diâmetro.




A inspiração para essas peças, acho que não deixa dúvidas, Bordallo Pinheiro, Caldas da Rainha, Portugal.

A marca na peça maior:


Quem adquiriu os lotes, adquiriu uma parte do início da história de uma das maiores indústrias brasileiras dos séculos XIX e XX.

Todas as fotos das peças, gentilmente cedidas  por Monique e Eusébio, do Acervo Brasil, que você pode contactar em @acervobrasilleiloes ou clicando aqui e acessando o site!

Meus sinceros agradecimentos por permitir que eu mostrasse e contasse essa parte da nossa história!

Imagem do mapa da cidade do Rio de Janeiro no início do século XX, Ivo Korytowsky.


E essa foi a publicação comemorativa desse 9 anos do Do Tempo do Guaraná de Rolha!

Que venham mais nove anos pela frente! Assunto é que não falta!

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Manteigueiras Carnival Glass - Cisne, Galinhas e Franguinha

 


Palavras não são necessárias para falar dessas manteigueiras com formato de aves.
São clássicas, elegantes e muito colecionáveis.

A primeira manteigueira é uma produção da inglesa Sowerby feita na primeira metade do século passado e já apareceu aqui no blog em 2014 .

Manteigueira cisne!


Já que estamos falando da Sowerby, uma outra manteigueira produzida por ela e que faz parte da minha coleção é a Galinha no ninho.


Diferente das galinhas no ninho produzidas por outras empresas que colocam ovos na base do ninho, essa da Sowerby possui os filhotes da galinha se aconchegando na mãe.


A base é semelhante com a base da manteigueira cisne, com um único detalhe de que a base da cisne é ondulada, enquanto da galinha é contínua.



A próxima manteigueira é repleta de mistérios.
Originalmente, e ao que tudo indica, o molde pertenceu à alemã Brockwitz


Provavelmente o molde foi adquirido por alguma empresa brasileira, pois essa é uma peça encontrada com certa facilidade em sites de vendas e leilões.

Como a quantidade de imigrantes alemães que vieram para o Brasil no século passado é uma quantidade considerável, fica difícil de identificar se essas galinhas foram trazidas por eles ou se realmente foram produzidas no Brasil.

Isso fica mais difícil quando comparamos o desenho da base do cesto dessa manteigueira com o da próxima.


Manteigueira Franguinha, a menor das manteigueiras que eu conheço.


Muito difícil de ser encontrada em carnival glass, uma peça muito cobiçada por colecionadores.

O desenho da base da Franguinha:



E como eu disse, comparado com o desenho da base da galinha anterior, são idênticos.
Tudo leva a crer que ambas manteigueiras foram feitas no Brasil pela mesma empresa.



Peças clássicas, lindas e colecionáveis.
Impossível não se encantar com elas!


domingo, 21 de junho de 2020

Prato carnival glass padrão Arabesco - Esberard Rio

No mês de Maio, Waldemar Defacio publicou um comentário aqui no blog que dizia que ele havia adquirido em 19/05 um pires de 11,0 cm de diâmetro, em carnival glass, com a gravação "Esberard Rio" em relevo.
Pedi para que ele me mandasse algumas fotos.

Eis minha surpresa quando as fotos chegaram:



Um padrão que eu desconhecia!
Incrível!

Pela profundidade que o prato apresentava, suspeitei que poderia não se tratar de um pires, mas sim de um prato de apoio de alguma compoteira.
Mas aí existiam duas dúvidas, o diâmetro, muito pequeno para o presentoir de uma compoteira, e o padrão, que até então eu nunca havia visto em compoteiras.

Claro que diante dessas dúvidas, resolvi recorrer ao auxílio do Álvaro Aguiar.


Enquanto aguardava um e-mail com a resposta do Álvaro, resolvi dar uma olhada minuciosa nas imagens do catálogo da Esberard.

E mais uma vez, uma surpresa!

Em uma das páginas, um pratinho que parecia ter a mesma decoração do pires:


Entrei em contato com Clóvis Bezerra, dono do catálogo, e perguntei se ele poderia me mandar uma imagem mais nítida do item 374 do catálogo.

A nova imagem, apesar de ainda não muito nítida, revelou que realmente se tratava do mesmo prato!



Nesse meio tempo, o Álvaro retorna meu e-mail dizendo que ele já havia visto várias peças com esse desenho sendo vendidas em antiquários das cidades de Tiradentes e Ouro Preto, ambas em Minas Gerais, e em casas de outros colecionadores.
Também disse que esses pratinhos eram usados como apoio para copos com decoração muito semelhante, e que uma senhora, Dona Aparecida, lhe disse que eles eram usados para colocar as cascas das frutas do dejejum, como laranjas, mexericas, bananas...
Algo interessante que ele disse é que ele se lembra de ter visto esses pratinhos em m um antiquário na cidade de Tiradentes junto com suas respectivas xícaras!

Ou seja, não são só pires (ou pratos) existem também as xícaras!
Como faltam páginas no catálogo do Clóvis Bezerra, é bem capaz de que além dos pratos e xícaras, ainda existam outras peças no mesmo padrão!

Depois de conversar com Waldemar Defacio, ele deixou que eu escolhesse o nome para a decoração.

E depois de pensar bastante, acho que um nome simples e que representa muito bem o desenho é Arabesco!


É isso, padrão Arabesco, feito pela Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard Rio.


Meus sinceros agradecimentos a Waldemar Defacio pela excelente descoberta, ao Clóvis Bezerra pela disposição de sempre ajudar com as imagens do catálogo da Esberard, e principalmente ao Álvaro Aguiar, cujas explicações são sempre precisas e confiáveis.

Sem a ajuda de vocês, essa publicação não teria sido possível!

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Carnival Glass Windmill e Double Dutch - Imperial Glass


A maioria dos leilões que eu participo acontecem ou em São Paulo ou no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte.

Um leilão de antiguidades acontecendo aqui em Curitiba, é muito difícil!
Leilão de antiguidades em Curitiba onde um dos lotes é um conjunto carnival glass completo, composto por 7 peças, é muito, muito mais difícil ainda!
Agora, um leilão de antiguidades em Curitiba, com um jogo carnival glass completo ser arrematado no lance mínimo... Não preciso nem terminar!

Mas foi o que aconteceu comigo no mês de Março.
Consegui arrematar esse lindo jogo produzido pela empresa americana Imperial Glass em um leilão de antiguidades que ocorreu aqui em Curitiba.


A decoração do bowl maior é diferente da decoração dos menores, mas isso não significa que é um conjunto montado peça a peça. 
Muito pelo contrário, originalmente eles eram vendidos assim mesmo.

O padrão aparece pela primeira vez em catálogos dos EUA em meados de 1910 e foi usado durante anos.
As peças mais novas possuem a marca IG gravada na parte inferior. Não é o caso dessas aqui.


A decoração das peças menores recebe o nome de Windmill (Moinho de Vento), apresentando apenas um único moinho de vento.


A quantidade de detalhes no padrão é incrível!
Além do moinho de vento, flores, árvores, riacho, ponte, cerca fazem parte do cenário.
Lindo!



No bowl maior, a decoração é chamada de Double Dutch (Holandês Duplo), isso se deve por conta da presença de dois moinhos de vento.


A quantidade de detalhes também é incrível, apresentando também uma canoa com um pescador e algumas casinhas ao lado do moinho maior.


As peças menores não possuem decoração externa, já a Double Dutch apresenta uma guirlanda floral.
Também, as Windmill não possuem pés, são apoiadas direto no anel da base conhecido como Marie,  já o bowl maior é apoiado em três pés.
Na foto que mostra os pés, é possível ver esse anel Marie.



Double Dutch não é uma novidade aqui no blog.
Já faz alguns anos que eu possuo uma peça nesse padrão, e que já foi mostrada em 2013.
A diferença entre os dois bowls é que esse novo possui a borda ondulada, enquanto a do bowl antigo a borda e circular:


É um conjunto tão bonito que está exposto aqui em casa no tajer/cristaleira na sala de jantar, onde normalmente ficam à mostra apenas peças brasileiras.

Espero que todos estejam bem, e que continuem se cuidando!
Até a próxima!


quarta-feira, 27 de maio de 2020

Antiquário Casa Azul

É com satisfação que eu compartilho com todos os leitores do blog a divulgação que o Antiquário Casa Azul fez em seu informativo Antiguidades News do meu trabalho sobre a Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard Rio:




O antiquário Casa Azul está localizado na cidade de Campinas - SP, e possui um site com vendas online que vale a pena conhecer.

Para isso, basta clicar aqui!

Aos amigos do Antiquário Casa Azul, muito obrigado, e meu desejo de sucesso hoje e sempre para vocês!


E caso você ainda não tenha lido a história da Fábrica Esberard no site Carnival Glass Worldwide,
clicando aqui, uma nova janela será aberta!