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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Manteigueiras Carnival Glass - Cisne, Galinhas e Franguinha

 


Palavras não são necessárias para falar dessas manteigueiras com formato de aves.
São clássicas, elegantes e muito colecionáveis.

A primeira manteigueira é uma produção da inglesa Sowerby feita na primeira metade do século passado e já apareceu aqui no blog em 2014 .

Manteigueira cisne!


Já que estamos falando da Sowerby, uma outra manteigueira produzida por ela e que faz parte da minha coleção é a Galinha no ninho.


Diferente das galinhas no ninho produzidas por outras empresas que colocam ovos na base do ninho, essa da Sowerby possui os filhotes da galinha se aconchegando na mãe.


A base é semelhante com a base da manteigueira cisne, com um único detalhe de que a base da cisne é ondulada, enquanto da galinha é contínua.



A próxima manteigueira é repleta de mistérios.
Originalmente, e ao que tudo indica, o molde pertenceu à alemã Brockwitz


Provavelmente o molde foi adquirido por alguma empresa brasileira, pois essa é uma peça encontrada com certa facilidade em sites de vendas e leilões.

Como a quantidade de imigrantes alemães que vieram para o Brasil no século passado é uma quantidade considerável, fica difícil de identificar se essas galinhas foram trazidas por eles ou se realmente foram produzidas no Brasil.

Isso fica mais difícil quando comparamos o desenho da base do cesto dessa manteigueira com o da próxima.


Manteigueira Franguinha, a menor das manteigueiras que eu conheço.


Muito difícil de ser encontrada em carnival glass, uma peça muito cobiçada por colecionadores.

O desenho da base da Franguinha:



E como eu disse, comparado com o desenho da base da galinha anterior, são idênticos.
Tudo leva a crer que ambas manteigueiras foram feitas no Brasil pela mesma empresa.



Peças clássicas, lindas e colecionáveis.
Impossível não se encantar com elas!


domingo, 21 de junho de 2020

Prato carnival glass padrão Arabesco - Esberard Rio

No mês de Maio, Waldemar Defacio publicou um comentário aqui no blog que dizia que ele havia adquirido em 19/05 um pires de 11,0 cm de diâmetro, em carnival glass, com a gravação "Esberard Rio" em relevo.
Pedi para que ele me mandasse algumas fotos.

Eis minha surpresa quando as fotos chegaram:



Um padrão que eu desconhecia!
Incrível!

Pela profundidade que o prato apresentava, suspeitei que poderia não se tratar de um pires, mas sim de um prato de apoio de alguma compoteira.
Mas aí existiam duas dúvidas, o diâmetro, muito pequeno para o presentoir de uma compoteira, e o padrão, que até então eu nunca havia visto em compoteiras.

Claro que diante dessas dúvidas, resolvi recorrer ao auxílio do Álvaro Aguiar.


Enquanto aguardava um e-mail com a resposta do Álvaro, resolvi dar uma olhada minuciosa nas imagens do catálogo da Esberard.

E mais uma vez, uma surpresa!

Em uma das páginas, um pratinho que parecia ter a mesma decoração do pires:


Entrei em contato com Clóvis Bezerra, dono do catálogo, e perguntei se ele poderia me mandar uma imagem mais nítida do item 374 do catálogo.

A nova imagem, apesar de ainda não muito nítida, revelou que realmente se tratava do mesmo prato!



Nesse meio tempo, o Álvaro retorna meu e-mail dizendo que ele já havia visto várias peças com esse desenho sendo vendidas em antiquários das cidades de Tiradentes e Ouro Preto, ambas em Minas Gerais, e em casas de outros colecionadores.
Também disse que esses pratinhos eram usados como apoio para copos com decoração muito semelhante, e que uma senhora, Dona Aparecida, lhe disse que eles eram usados para colocar as cascas das frutas do dejejum, como laranjas, mexericas, bananas...
Algo interessante que ele disse é que ele se lembra de ter visto esses pratinhos em m um antiquário na cidade de Tiradentes junto com suas respectivas xícaras!

Ou seja, não são só pires (ou pratos) existem também as xícaras!
Como faltam páginas no catálogo do Clóvis Bezerra, é bem capaz de que além dos pratos e xícaras, ainda existam outras peças no mesmo padrão!

Depois de conversar com Waldemar Defacio, ele deixou que eu escolhesse o nome para a decoração.

E depois de pensar bastante, acho que um nome simples e que representa muito bem o desenho é Arabesco!


É isso, padrão Arabesco, feito pela Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard Rio.


Meus sinceros agradecimentos a Waldemar Defacio pela excelente descoberta, ao Clóvis Bezerra pela disposição de sempre ajudar com as imagens do catálogo da Esberard, e principalmente ao Álvaro Aguiar, cujas explicações são sempre precisas e confiáveis.

Sem a ajuda de vocês, essa publicação não teria sido possível!

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Carnival Glass Windmill e Double Dutch - Imperial Glass


A maioria dos leilões que eu participo acontecem ou em São Paulo ou no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte.

Um leilão de antiguidades acontecendo aqui em Curitiba, é muito difícil!
Leilão de antiguidades em Curitiba onde um dos lotes é um conjunto carnival glass completo, composto por 7 peças, é muito, muito mais difícil ainda!
Agora, um leilão de antiguidades em Curitiba, com um jogo carnival glass completo ser arrematado no lance mínimo... Não preciso nem terminar!

Mas foi o que aconteceu comigo no mês de Março.
Consegui arrematar esse lindo jogo produzido pela empresa americana Imperial Glass em um leilão de antiguidades que ocorreu aqui em Curitiba.


A decoração do bowl maior é diferente da decoração dos menores, mas isso não significa que é um conjunto montado peça a peça. 
Muito pelo contrário, originalmente eles eram vendidos assim mesmo.

O padrão aparece pela primeira vez em catálogos dos EUA em meados de 1910 e foi usado durante anos.
As peças mais novas possuem a marca IG gravada na parte inferior. Não é o caso dessas aqui.


A decoração das peças menores recebe o nome de Windmill (Moinho de Vento), apresentando apenas um único moinho de vento.


A quantidade de detalhes no padrão é incrível!
Além do moinho de vento, flores, árvores, riacho, ponte, cerca fazem parte do cenário.
Lindo!



No bowl maior, a decoração é chamada de Double Dutch (Holandês Duplo), isso se deve por conta da presença de dois moinhos de vento.


A quantidade de detalhes também é incrível, apresentando também uma canoa com um pescador e algumas casinhas ao lado do moinho maior.


As peças menores não possuem decoração externa, já a Double Dutch apresenta uma guirlanda floral.
Também, as Windmill não possuem pés, são apoiadas direto no anel da base conhecido como Marie,  já o bowl maior é apoiado em três pés.
Na foto que mostra os pés, é possível ver esse anel Marie.



Double Dutch não é uma novidade aqui no blog.
Já faz alguns anos que eu possuo uma peça nesse padrão, e que já foi mostrada em 2013.
A diferença entre os dois bowls é que esse novo possui a borda ondulada, enquanto a do bowl antigo a borda e circular:


É um conjunto tão bonito que está exposto aqui em casa no tajer/cristaleira na sala de jantar, onde normalmente ficam à mostra apenas peças brasileiras.

Espero que todos estejam bem, e que continuem se cuidando!
Até a próxima!


quarta-feira, 27 de maio de 2020

Antiquário Casa Azul

É com satisfação que eu compartilho com todos os leitores do blog a divulgação que o Antiquário Casa Azul fez em seu informativo Antiguidades News do meu trabalho sobre a Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard Rio:




O antiquário Casa Azul está localizado na cidade de Campinas - SP, e possui um site com vendas online que vale a pena conhecer.

Para isso, basta clicar aqui!

Aos amigos do Antiquário Casa Azul, muito obrigado, e meu desejo de sucesso hoje e sempre para vocês!


E caso você ainda não tenha lido a história da Fábrica Esberard no site Carnival Glass Worldwide,
clicando aqui, uma nova janela será aberta!


quinta-feira, 26 de março de 2020

Mais licoreiras Carnival Glass

Em meio a toda essa pandemia causada pelo Corona Vírus, e completando exatos 7 dias de reclusão, sem sair de casa, vamos aliviar esse clima mostrando coisa bonita, ou seja, licoreiras em carnival glass!

Elas também podem ser chamadas de "conjunto para digestivo", um nome interessante para jogos que podem servir vários tipos de licores.

O primeiro jogo foi produzido Pela Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard, e recebe o nome de Niterói, em homenagem à cidade de onde a Esberard retirava a areia para produzir seus vidros.




As peças são pequenas, tanto que eu gosto de brincar chamando o conjunto de "jogo para servir veneno" (para aquela visita indesejada, sabe?).

A garrafa tem 22,0 cm de altura, com a tampa, e cada copo tem 5,5 cm de altura com capacidade para 15 ml, ou seja, 1 colher de sopa!

Para comparar, uma foto da licoreira com um cálice junto a uma lata de refrigerante:


O prato de apoio é um show a parte.
Com um desenho único, que não acompanha o motivo da garrafa, possui uma iridescência magnífica!


Niterói aparece no catálogo da Esberard com numeração 819, mas repare que o formato da minha garrafa e dos meus cálices são diferentes dos formatos que aparecem no catálogo.
Isso foi comentado na postagem de Fevereiro quando falei sobre a garrafa licoreira Mystic Grape.

Imagens de catálogo gentilmente cedidas por Clóvis Bezerra.


A segunda Licoreira é chamada de Licoreira Bola e também aparece no catálogo da Esberard com o número 1515.
A foto foi gentilmente cedida pela equipe Marco Grilli Leilões, e infelizmente eu não possuo as medidas nem capacidade.



Uma licoreira cujo fabricante é desconhecido, é a Licoreira Pião que me foi apresentada em 2016 pelo Álvaro Aguiar.

Também não possuo as medidas nem a capacidade, e a imagem não está com uma boa resolução pois o Álvaro me enviou a foto em uma conversa informal.


A última licoreira, apesar de ser iridescente, não é considerada como carnival glass.

Alguns colecionadores vão discordar de mim, vão dizer que ela é sim carnival glass, e nesse caso vou deixar a critério de cada um escolher se é ou não, mas quero dar a minha explicação.

Muitos colecionadores, e eu sou um deles, consideram que carnival glass são peças iridescentes e feitas por meio de um molde.

São peças moldadas!

E essa licoreira não é moldada. Ela foi feita no sopro com o auxílio de uma cana, portanto não é considerada carnival glass.


Quatro licoreiras, quatro obras de arte da indústria vidreira, agora só falta o brinde! Saúde!

E saúde é o que estamos precisando no momento!

Fiquem bem! Se cuidem! O momento requer atenção!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Garrafa Licoreira Mystic Grape em Carnival Glass

Uma garrafa licoreira que tem muita história para contar!


Eu comprei essa licoreira no final de 2018, e quando ela chegou em casa fiquei surpreendido pelo formato, iridescência da cor fogo e a elegância de seu formato.

Como eu nunca tinha me deparado com uma garrafa dessas, e também não tinha nenhuma informação sobre a sua origem, recorri a Glen e Stephen Thistlewood, que depois de pesquisarem seus livros e arquivos me retornaram com a informação de que uma garrafa igual a essa aparecia enciclopédia de 2007 sobre carnival glass dos autores Mike Carwile e Bill Edwards.
Junto com essa informação, me enviaram um print da página do livro do Mike, que reproduzo aqui com a autorização do próprio Mike Carwile:

Uma tradução livre do texto, e desculpem qualquer erro...

"Mystic Grape. Este decantador (aprox. 34,3 cm) com tampa tem que ser o meu favorito de todos, e eu não sou realmente um grande fã de decantadores. Encontrado no Brasil, essa beleza bem projetada apresenta uma variedade em todo o seu padrão, como uvas, folhas e um design peculiar abaixo do cacho de uvas central, que me lembra duas raquetes de tênis sem corda ou até o rosto de uma coruja.
A parte de trás do decantador tem um padrão um pouco diferente.
A forma geral é mais interessante, especialmente o fino perfil lateral. Apenas o decantador na cor marigold (fogo) foi visto até hoje e eu adoraria ver o resto do conjunto. Muito obrigado a Karen e Allan Rath por nomear esse padrão e enviar a bela foto."

A Licoreira havia sido encontrada no Brasil por Karen e Allan Rath que já haviam mostrado algumas outras peças brasileiras para colecionadores de outros países.

Todas as características descritas no texto do Mike sobre a licoreira, podem ser vistas de forma melhor por meio de fotos.

O cacho de uva em um medalhão central, e abaixo dele os "olhos de coruja":




A parte de trás, com uma área maior livre de detalhes:


A silhueta fina, que como eu disse no começo, elegante:



Fotos da minha licoreira foram publicados no Network ezine Issue 44 de Janeiro de 2019 de Glen e Stephen Thisthewood, onde eles dizem que a minha peça é a segunda, em carnival glass, que se conhece entre colecionadores.

Enquanto o Network ezine estava sendo preparado, eu recebi uma mensagem de uma amiga, Sandy Sage, colecionadora de carnival glass, dizendo que a Mystic Grape de Karen Rath havia sido comprada pela sua falecida sogra Dolores Sage há alguns anos, e que a peça estaria indo a leilão no dia 06 de Junho de 2019 pelo site Seeck Auctions que pode ser verificado clicando aqui!

A peça foi arrematada por US$ 450.00!

E para minha surpresa, quem arrematou a licoreira foi um amigo meu, Greg Dilian, que dias depois de ter recebido a peça, compartilhou uma foto no Facebook, e foi aí que pudemos notar uma diferença entre a Mystic Grape dele e a minha Mystic Grape:


Foto: Greg Dilian 

Foto da minha Mystic Grape para comparação

A Tampa da Garrafa do Greg acompanhava o desenho/padrão apresentado no corpo da licoreira, enquanto a tampa da minha garrafa era totalmente lisa!
Seria minha tampa uma reposição da tampa original?

Essa pergunta ficou na minha cabeça ao longo de 2019, até que no final do ano eu comecei a finalizar minha pesquisa sobre a Esberard Rio e trabalhar com as imagens do catálogo da Esberard e com fotos das minhas peças.

E eis que no catálogo da Esberard, aparece uma garrafa/licoreira cujo padrão é conhecido por Vining Daisies, padrão encontrado com certa facilidade no Brasil, tanto em carnival glass, como em peças sem esse efeito, nas cores verde, azul, vermelha e transparente.


Repare na tampa da minha licoreira Vining Daisies. Ela apresenta a mesma decoração existente no corpo da garrafa!



Isso mostra que as fábricas de artigos em vidro podem ter modificado o desenho de partes de suas peças, como por exemplo as tampas das garrafas.
Podemos até "chutar" uma explicação para isso.
Por conta da fragilidade das tampas, por serem fáceis de se quebrarem, talvez ficasse mais fácil fabricar tampas que, sem a mesma decoração do corpo da garrafa, pudessem substituir uma tampa quebrada.
Ficaria fácil fazer uma reposição sem a necessidade de descartar a garrafa sem tampa.
Repare que, na imagem do catálogo, três garrafas possuem o mesmo formato de tampa.

Eu acredito que as peças mais antigas tivessem as tampas acompanhando o desenho da garrafa, e que essas tampas com menos detalhes, mais padronizadas, possam ter sido usadas após 1930.

Claro, volto a dizer que isso é uma suposição, portanto a tampa da minha Mystic Grape pode ser original?
Sim!

Mas também pode ser uma tampa de reposição?
Sim! (mas acho pouco provável)

E um último detalhe, a imagem da Esberard foi usada apenas para ilustrar a explicação das tampas. Não existe nehuma evidência que tenha sido a Cia. Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil - Esberard que tenha fabricado a Mystic Grape.

Uma outra coisa, que até alguns dias me intrigava era, e os copos dessa licoreira?
Existiriam copos Mystic Grape?
Como Mike Carwile, eu também adoraria ver um conjunto desses completo!

E eis que, navegando pela internet me deparo com o site Flávia Santos Leilões com a seguinte foto:


Uma Mystic Grape na cor Verde com seis copinhos!!!!!

Ou seja, a Mystic Grape possui sim seus respectivos copos!
E a missão que eu tenho pela frente é encontrar esses copos em carnival glass! Tarefa difícil!

Para acessar o site Flávia Santos Leilões, que gentilmente cedeu a imagem clique aqui!

E para finalizar a publicação desse mês de carnaval, gostaria de lembrar que a minha pesquisa contando a história da Esberard (Companhia Fábrica de Vidros e Crystaes do Brasil) está disponível no site Carnival Glass Worldwide que pode ser acessado clicando aqui!

Peço que não deixem de prestigiar!